Em pouco mais de dois meses desde o início de sua gestão, a prefeita Cris Samorini (PP) se vê no olho do furacão após um aumento substancial nas cobranças da Câmara de Vereadores. O clima de tensão na casa legislativa, que antes estava dividido entre raros embates das bancadas de oposição, agora se transforma com mudanças significativas de posicionamento entre os parlamentares.
A nova configuração política começou a se desenhar já no final do mandato do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que renunciou em abril com a intenção de disputar o governo do estado. Em um movimento estratégico, Pazolini adiou a eleição da Mesa Diretora, prevista para agosto, alegando que essa decisão seria mais oportuna após as eleições gerais. Nos bastidores, murmurava-se que ele acreditava ter mais influência sobre a futura composição da Câmara, caso fosse declarado vitorioso na corrida pelo governo.
No entanto, a manobra desagradou a muitos vereadores, que se organizaram no grupo G16 em defesa da realização da eleição na data previamente marcada. Um áudio revelador, onde Pazolini pressiona o vereador Dalto Neves (SD) a desistir de sua candidatura, expôs suas intenções e enfraqueceu sua posição na casa. A liminar obtida pelo atual presidente, Anderson Goggi (Republicanos), junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a eleição, resultou num triunfo jurídico, mas de pouca validade política.
Com a nova configuração, Neves se tornou um crítico da gestão de Samorini, assim como outros vereadores que mudaram de lado, como Camillo Neves (PP) e Aylton Dadalto (Republicanos), que agora declaram apoio a Ricardo Ferraço (MDB). As críticas intensificaram-se, especialmente por parte de vereadores opositores como Pedro Trés (PSB) e Professor Jocelino (PT), que ergueram a voz contra a gestão municipal.
Neste cenário de crescente tensão, articulações eleitorais prevalecem, com muitos vereadores filiados a partidos que fazem parte da frente governista, liderada por Renato Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB). Essa dinâmica complica ainda mais a posição de Samorini, que enfrenta a insatisfação em relação ao retorno de secretários municipais sobre questões relevantes nas reuniões.
Diante disso, cinco vereadores permanecem leais a Pazolini e Samorini, enquanto o risco de uma nova liderança na Câmara se torna cada vez mais real. As cobranças e a pressão sobre a prefeita estão longe de neutralizarem-se, e a influência de Pazolini parece em declínio, mas o cenário pode mudar após as eleições de outubro.

Foto: Leonardo Duarte/CMV
Fonte: Século Diário

