A prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), adotou uma postura cautelosa ao vetar propostas apresentadas por vereadores de direita na Câmara Municipal. Em uma publicação recente no Diário Oficial do Município, a Lei 10.357/1016, que restringe regras para distribuidoras de bebidas, passou por diversas alterações significativas, enquanto uma proposta mais polêmica sobre a proibição da participação de crianças em eventos sobre “orientação sexual” foi vetada na íntegra.
O projeto sobre as distribuidoras, de autoria do vereador Davi Esmael (Republicanos), foi modificado de tal forma que o sentido original foi quase completamente esvaziado. Entre os artigos vetados, destacam-se a classificação dos estabelecimentos como locais onde não há consumo de bebidas e a exigência de cumprimento do Código Sanitário Municipal. Cris Samorini retirou ainda a obrigação de funcionamento das distribuidoras entre 7h e 22h e a imposição de sanções rigorosas relacionadas ao consumo interno.
A prefeita manteve apenas a proibição de expor substâncias tóxicas à venda, enquanto o dispositivo que exigia adequações rápidas de 30 dias foi eliminado. O clima de discórdia se estendeu ao Plenário da Câmara, onde Davi Esmael criticou os “vetos demais” e pediu um diálogo contínuo com a prefeitura, enquanto Maurício Leite indicou a pressão da população por um maior controle sobre as distribuidoras.
Por outro lado, a proposta que visava proibir a participação de crianças em eventos sobre “orientação sexual” e temas como aborto e drogas, de autoria de Darcio Bracarense (PL), foi totalmente vetada por Cris Samorini, que alegou que a Constituição reserva à União essa atribuição. Em resposta ao veto, Bracarense afirmou que a prefeita ainda não tem total controle sobre a gestão, ressaltando que a cidade “protege animais e negligencia a proteção das crianças”.
Críticas também foram levantadas por Camillo Neves (PP), que denunciou o veto ao “projeto conservador” apenas porque seu autor não fazia parte da base da prefeita. A crescente insatisfação em relação à administração municipal e o rompimento de vereadores com a gestão revelam um clima político tenso na Câmara de Vitória.
Foto: Autor desconhecido
Fonte: Século Diário

