Título: Dívida Pública dos EUA Ultrapassa US$ 40 Trilhões, Levando Economistas a Avaliar Seus Motivos e Consequências
A dívida pública dos Estados Unidos atingiu um novo marco ao ultrapassar a marca de US$ 40 trilhões, um fato sem precedentes na história do país. Esse aumento significativo é atribuído, em grande parte, à redução de impostos para os mais ricos, às pressões inflacionárias resultantes de conflitos no Oriente Médio que impactaram os preços dos combustíveis e às tarifas de importação implementadas durante o governo de Donald Trump. Economistas consultados pela Agência Brasil observaram que, além desses fatores, o elevado gasto militar, que aproxima-se de US$ 1 trilhão, e o aumento correspondente nos gastos com juros da dívida, que alcançou US$ 1,1 trilhão — mais do que o dobro do que foi despendido em 2021 —, contribuem para esse cenário preocupante.
Outro ponto importante levantado por especialistas é que, apesar do número impressionante, não existe um risco iminente de insolvência para os Estados Unidos, uma vez que o país emite sua própria moeda e possui o dólar como a principal reserva monetária global. O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, destaca que um governo com essa capacidade não quebra facilmente e que o Federal Reserve (FED) tem mecanismos para intervir no mercado, como o que ocorreu durante a pandemia, quando o banco central expandiu seu balanço em quase US$ 3 trilhões em um curto período.
A Secretaria do Tesouro dos EUA prontamente anunciou um aumento nas operações para a compra de títulos pública, que será elevada de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de setembro. O economista e doutor em história Pedro Faria, por sua vez, afirma que o valor da dívida por si só não representa um risco para a capacidade de pagamento dos EUA. Já o professor Bastos acrescenta que a carga tributária nos Estados Unidos é consideravelmente mais baixa do que a média dos países desenvolvidos, contribuindo para um déficit crescente.
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Juros e Confiança no Mercado
O aumento da dívida coincide com uma elevação nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA, que são considerados um dos ativos mais seguros do mundo. O professor Pedro Bastos enfatiza que, apesar do aumento nos juros, não há desconfiança geral no mercado em relação à capacidade de pagamento da dívida, já que os investidores continuam comprando esses títulos. Aproximadamente dois terços da dívida no mercado estão nas mãos de investidores domésticos, o que ajuda a mitigar os riscos de insolvência. Contudo, o economista alerta que o único risco potencial de calote seria político, caso o Congresso não autorize o aumento do teto da dívida.
De acordo com análises recentes, a dívida pública dos EUA cresceu US$ 1 trilhão em um período de apenas cinco meses, superando as previsões do Escritório de Orçamento do Congresso, que projetava atingir a marca de US$ 40 trilhões em 2027.
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Políticas Fiscais e o Cenário Econômico
As políticas fiscais adotadas durante os mandatos de Trump, que visavam cortes de impostos para os mais ricos, acabaram contribuindo para o aumento do endividamento nacional e a consequente diminuição da arrecadação. Em 2025, um projeto que ampliou ainda mais os cortes de impostos para os ricos previu um aumento no déficit em US$ 4,7 trilhões ao longo de uma década, enquanto cortou US$ 1 trilhão em saúde pública. Os especialistas sublinham que a concentração de renda e a arrecadação tributária reduzida são chaves para entender a atual crise fiscal.
Por fim, o “risco Trump” segue sendo uma preocupação latente. A desconfiança em relação às políticas econômicas da Casa Branca tem feito alguns países, como Brasil e China, reduzirem suas reservas em títulos do Tesouro dos EUA. Essa tendência de esvaziar a confiança no sistema financeiro americano, caso persista, pode afetar os juros e a credibilidade da maior economia do mundo.
Guerra, tarifas e menos imposto a ricos geram dívida recorde nos EUA
Fonte: Agencia Brasil.
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