Demora no Diagnóstico da Esclerose Múltipla Prejudica Tratamento de Pacientes no Brasil
Uma recente pesquisa realizada pela HSR Health em colaboração com a Roche Farma e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) destaca um preocupante cenário no diagnóstico da esclerose múltipla no Brasil. O estudo, que ouviu 368 pessoas em tratamento contra a doença durante o Agosto Laranja, mês de conscientização, revela que mais de um quarto dos pacientes (26,6%) esperou mais de cinco anos para receber um diagnóstico definitivo, com 14,1% aguardando uma década ou mais após os primeiros sintomas.
Segundo o estudo, 56,8% dos participantes receberam um diagnóstico errado antes de confirmarem estar com esclerose múltipla. Este atraso diagnóstico limita a eficácia do tratamento, como destaca o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Kleinpaul enfatiza que a rapidez no diagnóstico é crucial para prevenir danos permanentes causados pela doença, que pode levar à progressão de incapacidades.
A pesquisa identifica ainda as principais barreiras enfrentadas até o diagnóstico: 36% dos entrevistados apontaram médicos e profissionais de saúde como o principal obstáculo, enquanto 23% mencionaram o alto custo de exames essenciais, como a ressonância magnética.
Lucimara de Lima Santana, uma educadora física de 44 anos, relata sua própria luta de quatro anos por um diagnóstico correto, período durante o qual consultou diversos especialistas e enfrentou sintomas intensos, confundidos com outras doenças, como ansiedade e dengue. Após uma ressonância magnética indicada por um ortopedista, e exames adicionais solicitados por um neurologista, finalmente recebeu seu diagnóstico de esclerose múltipla.
Apesar de não curável, o tratamento da esclerose múltipla avançou, permitindo uma melhor qualidade de vida. A pesquisa revela que 48% dos pacientes já estão estáveis ou em remissão. Porém, 41,2% ainda enfrentam dificuldades de acesso ao tratamento devido a burocracias e falta de medicação. Os desafios continuam afetando a vida social e profissional dos pacientes, com muitos enfrentando também problemas emocionais e financeiros.
Com cerca de 40 mil brasileiros vivendo com esclerose múltipla, é essencial um maior entendimento e apoio às necessidades desses pacientes, assim como um maior investimento em diagnóstico e tratamento acessíveis, para retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos afetados, conforme frisado pelo neurologista Rodrigo Kleinpaul.
Foto de Lucimara Santana: Lucimara Santana/Arquivo pessoal
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