Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica é Lançada em São Paulo
Na última quarta-feira (27), representantes de povos indígenas, quilombolas, caiçaras e outras comunidades tradicionais se uniram para lançar a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O evento, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), coincidiu com o Dia Nacional da Mata Atlântica, destacando a urgência da preservação deste bioma ameaçado. A aliança busca defender os direitos territoriais das comunidades e garantir a proteção ambiental dessa região vital para a biodiversidade brasileira.
Formada por um conjunto diversificado de povos como os Guarani, caboclos e pescadores artesanais, a coalizão nasceu da necessidade de uma voz unificada na luta contra as ameaças que a Mata Atlântica enfrenta. Com dados alarmantes que indicam que apenas cerca de 12,4% da vegetação original ainda persiste, os participantes afirmaram que a preservação deste bioma é fundamental não só para os grupos tradicionais que habitam a região, mas também para toda a população brasileira, que depende dela para o abastecimento de água e de recursos naturais.
Em palavras de Ivanildes Kerexu, coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa, “a aliança é um projeto de união dos povos que busca também reforçar a luta por esse território.” Durante o evento, a ex-ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, enfatizou a importância da articulação como um espaço de diálogo e denúncia. Ela destacou a necessidade urgente de estruturas políticas e sociais que considerem os direitos das comunidades tradicionais. “Estamos diante de grandes desafios como a exploração predatória e a mineração, que ameaçam não só a Mata Atlântica, mas a própria sobrevivência de nossos povos,” afirmou Guajajara.
Além da exploração e da especulação imobiliária, o turismo descontrolado e o uso intensivo de agrotóxicos são citados como principais fatores que contribuem para a degradação do bioma. “A Mata Atlântica sempre foi sustentada pelos povos que nela vivem e resistem,” alertou José Wellington Fontes Nascimento, coordenador do Movimento Quilombola de Sergipe, ressaltando que o ataque a esse ecossistema compromete não apenas a fauna e flora, mas a própria identidade cultural e social das comunidades locais.
Com um manifesto de intenções claro, a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica se apresenta como uma rede de proteção, unindo esforços em defesa do berço comum da história e biodiversidade do Brasil. Avançar nessa luta é essencial para garantir que as futuras gerações tenham a chance de conhecer e viver em um ambiente onde a mata e seus saberes ancestrais sejam respeitados e preservados.
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Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender Mata Atlântica
Fonte: Agencia Brasil.
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