A proposta do deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) de eliminar os subsídios para vereadores em municípios com até 30 mil habitantes gerou reações acaloradas entre entidades do Espírito Santo. A Associação das Câmaras Municipais e de Vereadores do Espírito Santo (Ascamves) divulgou uma nota de repúdio, afirmando que a mudança comprometeria a independência do Legislativo e poderia excluir cidadãos sem condições financeiras para exercer a função.
Mandel, que já havia sido alvo de críticas por desvalorizar a figura do vereador, agora busca apoio para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que transformaria esses parlamentares em “conselheiros” remunerados apenas por sessão. Na visão da Ascamves, essa iniciativa não apenas descaracterizaria o mandato, mas também fragilizaria a representação popular.
Além disso, o deputado se tornou o centro de outra controvérsia ao informar desdenhosamente que “ser vereador é uma merda”, o que provocou uma nota de repúdio por parte da União dos Vereadores do Brasil (UVB). Esses episódios evidenciam a complexa e muitas vezes polarizada paisagem política brasileira.
Aos 25 anos, Mandel se destaca como um representante da “nova política”, utilizando estratégias digitais e defendendo bandeiras de combate a privilégios. Entretanto, a viabilidade de sua PEC é considerada baixa, levantando questões sobre a produção legislativa e a natureza dos projetos apresentados por ele.
A Ascamves ressalta, em sua nota, que a luta por subsídios justos para vereadores é essencial para garantir a participação de cidadãos qualificados na política. As camadas críticas em relação à compensação e benefícios oferecidos a parlamentares têm sido um tema recorrente nas câmaras do Espírito Santo, onde aprovações de auxílios e 13º salários para autoridades municipais se tornaram frequentes.
Além da defesa de melhores condições salariais, muitos vereadores se justificam dizendo que também precisam de um salário digno, ligando suas reivindicações a uma necessidade de atrair bons quadros da iniciativa privada. No entanto, críticos apontam que muitos desses cargos são ocupados por indicações políticas e não necessariamente por méritos técnicos.
A dinâmica atual revela que a proposta de Mandel pode ser vista como uma resposta superficial a um problema maior relacionado aos privilégios no sistema político brasileiro.

Fonte: Século Diário

