Exposição celebra a história de resistência dos povos Katxuyana e Kahyana em Belém
A partir do dia 25 deste mês, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, será palco da mostra “Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros”. A exposição destaca a luta pela retomada territorial dos povos indígenas Katxuyana e Kahyana através de fotografias, relatos e artefatos que datam desde 1960.
Os visitantes terão a oportunidade de conhecer mais sobre a história dessas comunidades que foram dispersadas e isoladas durante o regime militar, período em que houve uma intensa colonização da Amazônia. A mostra traz um olhar sobre as memórias e patrimônios dos povos Katxuyana e Kahyana, preservados apesar das adversidades enfrentadas.
Angela Kaxuyana, líder indígena e representante da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk), enfatiza a importância da exposição: “É uma oportunidade de compartilhar nossas histórias de resistência e resiliência diante de um processo marcado pela violência e pela tentativa de apagamento de nossa existência.”
A exposição também joga luz sobre o processo de demarcação da Terra Indígena Kaxuyana‑Tunayana, iniciado em 2008 pela Funai e concluído em 2025 com a homologação do território — um reconhecimento estatal da propriedade ancestral que abrange 2 milhões de hectares nos municípios de Faro e Oriximiná (PA) e Nhamundá (AM).
Além de mostrar a resistência desses povos, a curadoria, realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o próprio Museu Paraense Emílio Goeldi, mescla peças contemporâneas feitas e utilizadas hoje pelos Katxuyanas e Kahyanas com itens da Coleção Etnográfica do Museu, coletados na década de 1960 pelo pesquisador Protásio Frikel.
Um dos destaques da mostra é o txamatxama, artefato plumário de significativa importância cosmológica e sociopolítica, usado para diplomacia e comunicação interespécies.
A exposição “Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros” estará disponível até 30 de abril de 2027, de quarta a domingo, das 9h às 16h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, localizado dentro do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.
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Povos Katxuyana e Kahyana contam retomada de território pela arte
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