A Escalada da Guerra no Oriente Médio: O Fracasso do Acordo EUA-Irã
A recente intensificação do conflito no Oriente Médio expõe os limites e as falhas do acordo entre Irã e Estados Unidos, que visava pacificar uma região marcada pela violência e pela instabilidade. Desde o dia 28 de fevereiro, os ataques têm se intensificado, resultando em estragos consideráveis e em um número elevado de vítimas. As ofensivas norte-americanas atingiram não apenas posições militares, mas também a infraestrutura civil do Irã, incluindo bombardeios de pontes, hospitais e até canteiros de obras de usinas nucleares. Em resposta, o Irã tem retaliado com ataques a alvos em países vizinhos como Jordânia, Bahrein e Kuwait, incluindo bases militares dos EUA. O cenário atual levanta questões sobre a eficácia da estratégia de Washington e o impacto a longo prazo nas relações de poder na região.
O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, descreve o acordo entre os dois países como uma “mentira” ou uma “manobra diversionista” de Washington, que, segundo ele, buscava uma saída da crise das reservas de petróleo, acentuada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. “Donald Trump assinou o memorando porque recebeu informações alarmantes sobre as reservas de petróleo, mas o acordo nunca teve intenção de ser cumprido”, argumenta. Para Costa, a verdadeira questão reside na hegemonia dos EUA na região, e a escalada atual pode indicar o fim do controle norte-americano sobre países como os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait.
A Jordânia como Alvo
O cientista político e especialista em geopolítica, Ali Ramos, assinala que a Jordânia se tornou um ponto logístico crucial para as operações militares dos EUA, além de destacar a ausência de Israel na linha de fogo, uma vez que o aeroporto Ben Gurion, um dos maiores centros aéreos americanos, permanece intacto. Segundo Ramos, a nova fase da guerra não está alcançando os principais objetivos americanos, como desmantelar o programa nuclear do Irã ou eliminar o apoio às milícias na região. Em vez disso, os ataques a infraestrutura civil, como uma fábrica de dessalinização que deixou 10 mil pessoas sem água, podem acabar fortalecendo o regime iraniano, gerando um ciclo sem fim de violência e retaliação.
Falta de Estratégia dos EUA
Conforme analisa o major-general Agostinho Costa, os EUA parecem desprovidos de uma estratégia clara para lidar com a atual fase do conflito. “Mais uma vez, eles se afastam de uma invasão terrestre e acreditam que podem resolver uma situação complexa com ações aéreas. Contudo, o Irã continua mostrando capacidade ofensiva”, afirma. Esse panorama sugere que ainda há espaço para uma escalada no conflito, com ambos os lados mantendo suas capacidades de ataque e defesa.
Contexto da Guerra
Analistas consultados pela Agência Brasil observam que a agressão contínua contra o Irã desde junho de 2025, bem como a intensificação dos combates a partir de fevereiro, visava uma “troca de regime” no Irã, parte de um esforço mais amplo para conter a expansão econômica da China na região e solidificar a posição de Israel. Com a ineficácia dos esforços para derrubar o regime político iraniano, os EUA agora buscam retomar o controle da navegação no Estreito de Ormuz, uma via vital por onde passava cerca de 20% do comércio global de petróleo antes do início do conflito.
Enquanto isso, o governo iraniano afirma que a gestão do estreito, crucial para a segurança nacional, precisa ser redefinida em novos termos, potencialmente envolvendo uma colaboração com Omã, o que indica que as tensões continuarão a dominar a agenda política no Oriente Médio.
Escalada da guerra expõe fracasso do acordo entre Irã e EUA
Fonte: Agencia Brasil.
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