Doença rara conhecida como lobomicose, ou Doença Jorge Lobo, afeta seringueiros na Amazônia Ocidental, trazendo desafios e estigmas. Augusto Bezerra da Silva, aos 45 anos convive com a doença, que causa lesões nodulares pela pele. O Projeto Aptra Lobo, em parceria com o Einstein Hospital e o Ministério da Saúde, promete avanços no tratamento no SUS.
No remoto interior do Acre, vive Augusto Bezerra da Silva, que aos 20 anos foi diagnosticado com a Doença Jorge Lobo, marcando profundamente sua vida e sua autoimagem. A doença endêmica da região Amazônica provoca lesões nodulares que se assemelham a queloides, localizando-se em partes expostas do corpo como orelhas, braços e pernas. Além dos desconfortos físicos, como dor e coceira, Augusto enfrentou o desgaste psicológico de ser socialmente estigmatizado, levando-o a um isolamento doloroso.
Histórico da DJL
Descrita pela primeira vez em 1931 pelo dermatologista pernambucano Jorge Oliveira Lobo, a lobomicose continua sendo uma desordem pouco compreendida, com prevalência significativa entre populações economicamente vulneráveis, como ribeirinhos e extrativistas. A infecção se inicia através da penetração de um fungo em pequenas lesões na pele, podendo avançar para uma desfiguração severa.
Dados do Ministério da Saúde apontam para 907 casos registrados oficialmente, com 496 casos notificados apenas no Acre. A doença ganha especial atenção com o surgimento do projeto Aptra Lobo, que se propõe a delinear um tratamento padronizado para a inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). Conduzido em estados como Acre, Amazonas e Rondônia, o projeto integra assistência direta e pesquisa clínica para embasar futuras diretrizes.
Avanços pelo Projeto Aptra Lobo
Com financiamento do Proadi-SUS e parceria do Einstein Hospital Israelita, o projeto já mostra resultados alentadores. Mais da metade dos 104 pacientes acompanhados reportaram melhorias significativas nas lesões, através do uso do antifúngico itraconazol, cuja dosagem é ajustada individualmente.
O manejo da doença tem contado com a realização de biópsias e exames laboratoriais nas próprias comunidades afetadas, facilitando o acesso ao diagnóstico. Dr. João Nobrega de Almeida Júnior, um dos infectologistas do projeto, ressalta as dificuldades geográficas para alcançar certas comunidades, mas celebra o progresso com investimento em infraestrutura e suporte ao transporte dos pacientes.
Augusto hoje se sente aliviado com a redução das lesões, fruto do tratamento consistente. Ainda que ressalte as limitações remanescentes, a esperança se renova com o projeto e a perspectiva de um futuro com menos exclusão social. O lançamento de um manual prático pelo projeto e o planejamento de um Protocolo Clínico são esperados para consolidar o conhecimento adquirido e reforçar o combate a este e outros problemas de saúde negligenciados em regiões remotas do Brasil.
Foto por: Agência Brasil e João Nobrega de Almeida Jr/Arquivo Pessoal.
Projeto leva tratamento gratuito a doenças negligenciadas no Amazonas
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