Guerra no Oriente Médio pode afetar preços de combustíveis no Brasil
O recente conflito no Oriente Médio, marcado por ataques israelenses e americanos ao Irã, está gerando repercussões significativas no mercado global de petróleo e, consequentemente, nos preços de combustíveis no Brasil. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, avaliou que, embora a alta dos preços do petróleo possa ser iminente, o impacto no consumidor brasileiro pode demorar até seis meses para ser sentido. Isso se deve ao estoque acumulado nas refinarias, que neutraliza um aumento instantâneo nos preços.
Desde o início dos confrontos, o petróleo viu uma forte valorização, levando as refinarias a enfrentarem a possibilidade de novos contratos com preços mais altos. Ardenghy explica que, uma vez que o petróleo mais caro comece a chegar às refinarias, elas poderão transferir esses custos para contratos novos, mas contratos já firmados garantem os preços anteriores. Isso significa que não há uma expectativa de aumento imediato, mesmo que os preços globais se elevem.
A incerteza quanto à duração do conflito e à manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz, que é crucial para o transporte do petróleo do Oriente Médio, também influencia a variação de preços. Contudo, o impacto total depende de variáveis como a continuidade do conflito e possíveis rotas alternativas de escoamento, já que o fechamento do estreito não interrompe completamente o fluxo de petróleo na região.
Estreito de Ormuz e alternativas de exportação
O Estreito de Ormuz é considerado uma rota estratégica, pois é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial. Apesar do bloqueio decretado pelo Irã, algumas alternativas estão em operação. Países como o Iraque podem utilizar oleodutos que levam seus recursos à Turquia, e a Arábia Saudita já dispõe de rotas que direcionam sua produção ao Mar Vermelho. Essas alternativas não garantem a totalidade do transporte que ocorre pelo estreito, mas mitigam um possível desabastecimento.
A previsão de Ardenghy é de que não haverá uma mudança de patamar nos preços por pelo menos 60 a 90 dias. A normalização do cenário no Oriente Médio é essencial, mas mesmo que isso dê certo, a história recente de conflitos armados levanta dúvidas sobre a estabilidade a longo prazo.
Produção brasileira e o mercado internacional
Enquanto isso, o Brasil ocupa um papel de destaque no mercado internacional, sendo o nono maior produtor e exportador de petróleo do mundo, com uma produção que atingiu 3,8 milhões de barris por dia em 2025. Ardenghy acredita que o país poderá aumentar sua participação no mercado caso novas reservas sejam descobertas. Essa situação oferece uma oportunidade para que o Brasil compense a falta de petróleo proveniente do Oriente Médio, reforçando seu papel como um fornecedor confiável.
As tensões no Oriente Médio podem servir como um catalisador para uma reorientação nos fluxos globais de comércio de petróleo, especialmente por países asiáticos que buscam diversificar suas fontes de suprimento. Isso, por sua vez, abre caminho para o Brasil se consolidar ainda mais no cenário global, aproveitando as experiências de grandes empresas internacionais e da Petrobras.
Considerações finais de um cenário incerto
Roberto Ardenghy ressalta que a continuidade da atividade petrolífera no Brasil é fundamental para garantir segurança energética e aumentar a capacidade de exportação, o que poderia trazer divisas para o país. A situação atual exige atenção, pois os desdobramentos no Oriente Médio podem afetar diretamente a economia brasileira.
![]()
Arte/EBC
![]()
Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
Impacto da guerra no preço do combustível ao consumidor pode demorar
Fonte: Agencia Brasil.
Economia

