O presidente Abelardo de la Espriella, da Colômbia, decretou o fim das transmissões jornalísticas em 20 Emissoras da Paz, alterando a programação de emissoras que faziam parte dos termos do Acordo de Paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Com essa decisão, substitui-se o jornalismo por conteúdo musical centralizado em Bogotá, causando descontentamento em grupos de defesa da liberdade de imprensa por limitar o acesso à informação local.
As Emissoras da Paz, conforme o item 6.5 do Acordo de Paz, deveriam veicular notícias aos cidadãos sobre a evolução da implementação do acordo, incentivando a convivência pacífica e fornecendo um canal de voz para comunidades dilaceradas por mais de cinco décadas de conflito interno. Esta mudança foi apresentada sob a justificativa de uma “transformação integral do Sistema de Mídias Públicas”, como explicou o Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicações, visando resgatar um caráter “público, plural e independente” para os meios de comunicação estatais.
Contudo, a administração de Espriella, que expressou anteriormente seu ceticismo em relação ao Acordo de Paz, descreveu as emissoras como aparelhos de propaganda manipulados por interesses políticos. Esta mudança é dita temporária, porém, a redução de espaços jornalísticos públicos acarreta preocupações de restrição à pluralidade de mídia, dominada por grandes conglomerados empresariais, conforme apontado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Organizações como a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), Missão de Observação Eleitoral (MOE) e Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) expressaram sua reprovação, enfatizando o papel crucial dessas emissoras como fonte de informação em áreas rurais e para comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas, atendendo mais de 463 mil indivíduos. A ausência do jornalismo nas Emissoras da Paz, elas argumentam, priva essas comunidades de informações vitais sobre seus territórios e desconsidera o propósito original dessas rádios.
No Brasil, questões semelhantes acerca da mídia pública são gerenciadas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estabelecida em 2007 para assegurar a complementaridade entre os sistemas de comunicação privados, públicos e estatais, conforme previsto no Artigo 223 da Constituição Federal. A EBC mantém veículos como a Agência Brasil, procurando fornecer um conteúdo que, livre de interesses comerciais, é essencial para a diversidade e pluralismo no panorama midiático brasileiro.
Em suma, a ação do governo colombiano reflete uma tendência preocupante de redução dos espaços jornalísticos em mídias públicas, um desafio ainda evidente em toda a América Latina.
Governo Espriella encerra jornalismo da mídia pública da Colômbia
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