EUA Firmam Acordo Com 16 Países Latino-Americanos para Combate aos Cartéis
Em um momento de crescente tensão envolvendo o Irã, o governo dos Estados Unidos estabeleceu um controvertido acordo com 16 países da América Latina visando o combate aos cartéis de drogas. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou, em uma conferência realizada na última quinta-feira (5) em Doral, Flórida, que os EUA estão prontos para “agir sozinhos” caso considerem necessário, o que suscitou preocupações sobre possíveis violações da soberania territorial das nações latino-americanas. “A nossa preferência é que façamos isso juntos, em interesse deste hemisfério”, enfatizou Hegseth, ao justificar essa coalizão como parte da política do Corolário Trump à Doutrina Monroe, uma postura que muitos observadores temem que possa levar a intervenções militares diretas na região.
A conferência, que reuniu representantes de países como Argentina, Chile, e Costa Rica, tem gerado reação de acadêmicos e líderes políticos. O professor de geopolítica Ronaldo Carmona chamou as declarações de Hegseth de “ameaça gravíssima”, mencionando que a retórica evoca uma visão histórica de subordinação da América Latina aos objetivos dos Estados Unidos. Carmona enfatiza que a questão do tráfico de drogas deveria ser uma responsabilidade interna dos EUA e não uma justificativa para militarização na região.
O impacto deste acordo se estende a nações com suas próprias dinâmicas de combate ao narcotráfico, como o Brasil e o México, cujos governos reiteraram que qualquer ação nessa área deve respeitar a soberania nacional. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o combate às drogas deve ser feito em “coordenação e sem subordinação”, enquanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o narcotráfico em sua agenda de diálogos com Washington, destacando a diferenciação entre ações policiais e questões de defesa territorial.
Conferência no Comando Sul
A conferência ocorreu na sede do Comando Sul dos EUA, responsável por monitorar a América Latina e o Caribe. Hegseth, durante o evento, declarou que os EUA buscam “acesso irrestrito” a áreas estratégicas e ao comércio, visando uma industrialização que, segundo ele, beneficiaria a região. No entanto, esta abordagem gerou críticas de líderes como o presidente colombiano, Gustavo Petro. Ele contestou a necessidade de intervenção dos EUA, afirmando que a Colômbia e a América Latina possuem suas próprias capacidades para lidar com os cartéis.
Enquanto a Argentina, o Equador e o Paraguai estreitam suas relações com Washington, evidência do novo acordo, o país paraguaio avançou com um projeto que permitiria a presença militar dos EUA em seu território. O Equador, por sua vez, anunciou operações conjuntas com os EUA na luta contra os narcotraficantes, embora a proposta de instalação de bases militares estrangeiras no país tenha sido rejeitada pela população em referendo anterior.
Esta nova estratégia dos EUA na América Latina, marcada por acordos bilaterais e cooperações militares, levanta preocupações sobre a soberania das nações da região e os impactos em suas políticas internas de combate ao narcotráfico, reforçando um cenário de complexidade nas relações internacionais deste hemisfério.
![]()
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fala à imprensa na 19° Reunião de Cúpula do G20, no Museu de Arte Moderna. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
EUA diz que pode “agir sozinho” em países latinos-americanos
Fonte: Agencia Brasil.
Internacional

