O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, atual pré-candidato a governador, busca manter uma distância estratégica da extrema direita, apesar de sua identificação com o bolsonarismo. Após as recentes denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, Pazolini admite que um possível acordo com o Partido Liberal (PL) pode ter se tornado mais complicado.
Pazolini ganhou destaque político ao liderar uma comitiva que “fiscalizou” o Hospital Estadual Dório Silva em 2020, ação em sintonia com a postura negacionista de Jair Bolsonaro. Ele se manifestou a favor da anistia aos golpistas de 8 de janeiro e celebrou a derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. Sua base de apoio na Câmara Municipal é, em grande parte, composta por bolsonaristas.
Simultaneamente, o ex-prefeito é próximo do ex-governador Paulo Hartung, que não mantém laços com o bolsonarismo. Essa relação pode estar contribuindo para sua tentativa de distanciar-se de algumas pautas da extrema direita, criando uma imagem de gestor pragmático. Um exemplo dessa estratégia foi sua falta de apoio à chamada “Lei Anti-Oruam”, que proíbe o poder público de contratar eventos que façam apologia a crimes.
A eventual aliança com o PL pode forçar Pazolini a compartilhar palanque com Flávio Bolsonaro, cuja imagem foi prejudicada pelas denúncias. Com Ricardo Ferraço, seu principal oponente, sendo um político de direita alinhado a uma frente ampla, a disputa se torna desafiadora. Ferraço poderá ser visto como uma opção mais estável em contraste a alguém associado ao bolsonarismo, ainda que essa identificação possa render votos cruciais em um cenário eleitoral polarizado.
Por fim, a negociação para selar a aliança entre PL, PSD e Republicanos parece próxima, embora questões sobre as candidaturas ao Senado ainda permaneçam em debate, indicando que o ex-prefeito de Vitória ainda tem muitos desafios pela frente.

Fonte: Século Diário

