Em meio a eventos marcantes como a abertura política no Brasil, o lançamento do Plano Cruzado, e tragédias como o desastre de Chernobyl, 1986 também foi o ano em que as edições regionais de O Pasquim chegaram aos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. O Pasquim, jornal alternativo que se destacou pela sua postura crítica durante a ditadura militar, expandiu seu alcance editorial através destas edições, que, apesar de breve existência, deixaram um legado significativo.
Para comemorar os 40 anos dessas edições, a Biblioteca Nacional Digital disponibilizou ao público 114 edições regionais digitalizadas de O Pasquim, adicionando-se às 1.072 já existentes da sua versão carioca. Esse movimento digital foi liderado, em parte, por Fernando Coelho dos Santos, um corretor de seguros e aficionado pelo periódico, que voluntariamente coordenou o projeto após sua aposentadoria em 2016.
O Pasquim foi pioneiro em abordar temas como liberdade sexual, uso recreativo de drogas e política, com uma perspectiva satírica que desafiava o status quo, aspectos que se mantiveram nas edições regionais. Em São Paulo, por exemplo, figuras políticas como Paulo Maluf eram alvos frequentes, refletindo a diversidade de opiniões dos colaboradores. Segundo Paulo Markun, um dos líderes do projeto paulista, “tinha os defensores do Eduardo Suplicy, que era do PT, do Orestes Quércia, do PMDB, e até de Antônio Ermínio de Moraes, na época no PTB”.
No Rio Grande do Sul, a edição contava com a colaboração de importantes cartunistas e jornalistas regionais, como Edgard Vasquez e Santiago, que ajudaram a manter o tom crítico e irreverente pelo qual O Pasquim era conhecido.
Apesar do fim prematuro dessas edições, devido a diversos desafios, incluindo financeiros, a influência de O Pasquim continuou a ser sentida. O aspecto financeiro foi um grande desafio, como recorda Markun: “Na época da ditadura, o jornal vendia 200 mil exemplares, mas após a ditadura, a receita de anúncios diminuiu substancialmente”. Em São Paulo, a escassez de anunciantes e vendas abaixo do necessário prejudicaram a sustentabilidade do projeto.
Os interessados na história e nas edições de O Pasquim, incluindo as regionais, podem agora acessar toda essa riqueza de conteúdo através da Biblioteca Nacional Digital no endereço https://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim/. As capas das edições podem ser visualizadas, cortesia de Pasquim/Reprodução, oferecendo uma janela para um período vibrante e transformador da imprensa brasileira.
Edições regionais de O Pasquim em SP e RS ganham acervo digital
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