Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões, sinalizando uma possível crise fiscal
A dívida total dos Estados Unidos atingiu a marca histórica de US$ 40 trilhões na terça-feira (19), segundo o Departamento do Tesouro, provocando alarmes sobre uma crescente crise fiscal que pode impactar tanto a economia interna quanto as relações internacionais. Este salto na dívida é em grande parte fruto de uma combinação de despesas com programas sociais e o aumento dos juros, que superam amplamente as receitas do governo, já prejudicadas por cortes de impostos impostas nos últimos anos. O relatório diário do Tesouro revelou que, do total da dívida pública, aproximadamente US$ 32,3 trilhões estão em títulos do Tesouro detidos pelo público, enquanto a dívida intragovernamental soma cerca de US$ 7,8 trilhões.
Desde a posse do ex-presidente Donald Trump em 2017, a dívida federal mais que dobrou, saltando de US$ 19,95 trilhões. Um terço dessa expansão ocorreu durante os anos de resposta à pandemia da Covid-19, com gastos elevados para enfrentar a crise, tanto durante a administração de Trump quanto sob o governo de Joe Biden. A situação fiscal já preocupava analistas, que previam que o limite da dívida seria ultrapassado, admoestando que a falta de ação legislativa, incluindo aumento de impostos e cortes de gastos, poderia conduzir a uma crise de dívida sem precedentes. Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, destacou que os impactos da dívida são sentíveis em toda a economia e podem afetar diretamente a vida cotidiana das famílias americanas.
Adicionalmente, a recente preocupação em torno da dívida dos EUA já começa a refletir nos mercados financeiros, com credores globais demonstrando cautela. Após os rendimentos dos títulos do Tesouro de 30 anos alcançarem os maiores níveis desde 2021, a administração do Tesouro tomou medidas drásticas, como a duplicação do volume de recompra desses títulos. No entanto, a demanda por títulos da dívida federal está diminuindo, particularly entre os investidores estrangeiros, que detêm quase um terço de todos os títulos do Tesouro. Essa queda na demanda deixa mais títulos disponíveis para investidores mais sensíveis aos preços, aumentando assim a volatilidade do mercado.
A nova realidade fiscal gera um cenário preocupante para o governo federal, que já enfrenta déficits crescentes. O Tesouro anunciou recentemente um déficit mensal de US$ 432 bilhões, caracterizando um dos maiores déficits da história dos EUA. Além disso, a pressão sobre os programas de assistência e aposentadoria, como a Previdência Social e o Medicare, está crescendo, à medida que mais pessoas da geração “baby boom” se aposentam. A combinação de gastos obrigatórios crescentes e uma base de receitas insuficiente está levando a um desequilíbrio financeiro que poderá ter repercussões sérias para as futuras gerações de cidadãos e para a estabilidade econômica do país.
No cenário atual, os EUA se deparam com um dilema: como equilibrar a necessidade de gastos sociais com a responsabilidade fiscal, em um contexto internacional cada vez mais incerto.
Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões após governos Trump e Biden
Fonte: Agencia Brasil.
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