PolíticaColetivo contesta lei que impõe oração nas escolas de Cachoeiro e busca...

Coletivo contesta lei que impõe oração nas escolas de Cachoeiro e busca apoio jurídico.

O coletivo “Não Só Mais Um Silva”, de Cachoeiro de Itapemirim, planeja acionar o Ministério Público Estadual contra o Projeto de Lei nº 15/2025, recentemente aprovado pela Câmara Municipal. A nova legislação, que inclui a execução semanal do Hino Nacional e a oração do Pai Nosso nas escolas de ensino fundamental, é vista como uma violação à liberdade de crença e ao princípio da laicidade do Estado.

Em sua nota de repúdio, o coletivo argumenta que o projeto, de autoria do vereador Coronel Fabrício Martins (PL), é um "atentado aos princípios constitucionais" e defende que as escolas devem ser espaços de aprendizado respeitando a pluralidade de crenças. “Quem é o vereador Fabrício da Silva Martins para decidir sobre as crenças das crianças, dos pais e das instituições de ensino?”, questionam os signatários.

A nova lei determina o hasteamento das bandeiras nacional, estadual e municipal e a execução do Hino Nacional uma vez por semana, preferencialmente às quintas-feiras. A oração do Pai Nosso será realizada diariamente, de forma “voluntária”, antes do início das aulas, mas o coletivo argumenta que essa institucionalização configura uma imposição. “A educação deve ser um espaço de acolhimento, de respeito e de formação crítica, não de imposição religiosa”, afirmam.

O projeto foi aprovado apesar do parecer contrário da Comissão de Justiça da Câmara, que identificou "vícios insanáveis" e alertou para a ofensa à laicidade. O vereador Thiago Neves (PSB), relator da comissão, enfatizou que a imposição da oração é incompatível com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a impossibilidade de proselitismo religioso em instituições públicas de ensino.

Em plenário, a proposta foi aprovada por ampla maioria, com apenas quatro votos contrários. O autor do projeto defendeu que a medida busca promover valores de “civismo, ética, união e identidade cultural”. Com a aprovação, o projeto segue agora para a sanção do Executivo Municipal, mas corre o risco de ser declarado inconstitucional.

O coletivo “Não Só Mais Um Silva” expressou preocupação com o que chamam de “autoritarismo religioso institucionalizado”, afirmando que isso ameaça a diversidade de crenças. “É hora de repudiar esse tipo de autoritarismo e defender a laicidade do nosso Estado”, conclui a nota.

Imagem do vereador Coronel Fabrício Martins

Fonte: Século Diário

spot_img

Top 5

Confira Mais

Arquidiocese de Vitória esclarece: Dom Ângelo não apoia o Psol, diz nota oficial

Um embate recente entre a Arquidiocese de Vitória e...

Índice Nacional da Construção Civil cresce 1,19% e atinge 4,48% no ano

Sinapi registra alta de 1,19% na construção civil em...

Prefeitura de Anchieta apresenta projeto de revitalização da Praça das Garças em Porto de Cima

A comunidade de Porto de Cima, em Anchieta, teve...

Egito recebe seleção de futebol com festa após histórica Copa do Mundo

Egito Celebra Retorno Triunfante da Seleção após Melhor Campanha...

Desmatamento na Amazônia reduz 35% em junho de 2026

Queda significativa nos alertas de desmatamento em junho de...

Marataízes comemora 1ª Feira Municipal de Ciências com 1.400 alunos

Marataízes Sedia a 22ª Semana Nacional de Ciência e...

Procon de Cachoeiro orienta consumidores sobre férias e planejamento de viagens

As férias do meio do ano estão se aproximando,...

Redução do Tráfego no Estreito de Ormuz com Aumento de Tensões

Tensões crescentes no Oriente Médio têm impactado significativamente o...

SINE de Anchieta Tem 31 Vagas de Emprego Disponíveis para a População

O SINE de Anchieta está com 31 vagas de...