Em evento no Rio de Janeiro, a ministra Cármen Lúcia do Supremo Tribunal Federal ressaltou a importância de se reconstruir a confiança do público na integridade judicial, em vez de buscar popularidade. Durante o encerramento do seminário “A Justiça do Amanhã”, a ministra defendeu que a credibilidade do Judiciário depende da imparcialidade e do estrito cumprimento das leis por parte dos juízes.
Segundo Cármen Lúcia, que está há vinte anos no STF, é vital que as decisões judiciais sejam percebidas como justas e legais, independentemente do desfecho ser favorável ou desfavorável aos interesses das partes. “O importante é a garantia de que agi conforme a lei, mantendo meu juramento de honrar a Constituição e as leis da República”, afirmou ela.
A ministra também é relatora do projeto do Código de Ética Judiciária, uma iniciativa prioritária sob a liderança do ministro Edson Fachin. Este código visa fortalecer a confiança pública estabelecendo normas claras para impedir conflitos de interesse, como a participação de ministros em eventos organizados por entidades com litígios pendentes no STF.
As discussões sobre a necessidade de tal código foram impulsionadas por investigações recentes, incluindo a Operação Compliance Zero, que trouxe à tona conexões questionáveis entre membros do STF e o mercado financeiro. O código ainda enfrenta resistências dentro da própria corte, com debates sobre o timing político para sua implementação e questões sobre a fiscalização de suas disposições.
O projeto propõe, entre outras medidas, regras para a participação de familiares de magistrados em escritórios de advocacia que atuam no STF, além da exigência de divulgação prévia de compromissos dos ministros, visando maior transparência e segurança institucional. A aprovação do código continua a ser um tema delicado, revelando divisões entre os ministros sobre sua necessidade e efetividade.
Esta matéria foi realizada com base nas informações do evento e nas declarações dos envolvidos, bem como documentos e relatórios públicos disponíveis, sem qualquer conclusão adicional sugerida pela redação.
Cármen Lúcia: Judiciário deve buscar credibilidade, não popularidade
Educação

