Brasil intensifica produção de derivados de petróleo em meio a desafios geopolíticos internacionais
Diante dos crescentes desafios no cenário internacional, exacerbados pela guerra no Irã que impulsionou os preços do petróleo, a Petrobras elevou a capacidade operacional de suas refinarias. Segundo Magda Chambriard, presidente da empresa, esse esforço responde tanto a motivos econômicos quanto estratégicos. No primeiro trimestre de 2026, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias alcançou patamares impressionantes, tocando os 97,4% em março, o mais alto desde dezembro de 2014.
Chambriard durante uma teleconferência com investidores destacou que em abril e maio o FUT superou 100%, indicativo de um esforço contínuo para maximizar a produção. “A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias,” comentou a presidente, em uma nota de determinação e otimismo frente aos desafios atuais.
O diretor de Processos Industriais e Produtos da empresa, William França, explicou que esse desempenho é possível através de uma gestão criteriosa, que otimiza cada processo dentro das normas de segurança e protocolos ambientais, demandando autorização expressa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para proceder além dos 100% da capacidade nominal.
A guerra no Oriente Médio ampliou a necessidade de a Petrobras exceder seu padrão de produção, já que a refinaria não apenas satisfaz a demanda interna mas também se beneficia economicamente através da exportação de derivados, agregando valor ao brute nacional. De acordo com França, é vital “refinar nosso petróleo, pois quanto mais refinamos, mais dinheiro ganhamos.”
França também vinculou o aumento do FUT ao robusto programa de manutenção das refinarias, que garantiu um primeiro trimestre de 2026 com menos paradas para manutenções e mais produção. Ele destacou a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que, após manutenções em 2025, alcançou um recorde de produção do óleo diesel S-10 em abril de 2026, com 385 milhões de litros.
Com 11 refinarias, incluindo o grande Complexo de Energias Boaventura no Rio de Janeiro, a empresa aposta em tecnologia e inovação para assegurar que um ambiente geopolítico instável não prejudique sua capacidade de resposta ao mercado, tanto interno quanto externo. A maior dessas refinarias, a de Paulínia em São Paulo, responde sozinha por cerca de 30% de toda refinação nacional, destacando a escala da operação da Petrobras no setor.
Crédito das Imagens: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil (Refinaria Abreu e Lima, Ipojuca, Pernambuco)
Refinarias da Petrobras operam com mais de 100% de capacidade; entenda
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