Ricardo Ferraço (MDB) foi empossado como governador do Espírito Santo há pouco mais de um mês e já começa a implementar mudanças significativas na gestão, contrariando parcialmente a abordagem de seu antecessor, Renato Casagrande (PSB). Uma das alterações mais notáveis foi a transferência da responsabilidade pela mediação de conflitos de terra da Secretaria de Direitos Humanos para a Secretaria de Segurança Pública, refletindo uma nova orientação sobre a questão. O decreto também eliminou a obrigatoriedade da presença de órgãos como o Ministério Público e a Defensoria Pública nas reuniões sobre o tema, expressando uma visão reacionária ao usar termos como “ocupações ou invasões”.
Esse retrocesso já suscitou preocupações sobre possíveis questionamentos jurídicos, considerando a violação de normativas nacionais e internacionais que regem a questão fundiária. Antes dessa medida, Ferraço promoveu a troca da secretária de Direitos Humanos, Nara Borgo, pela nova nomeação de Marcela Bussinguer, uma mudança que evidencia seu desejo de imprimir um “estilo próprio” na gestão.
Além disso, a exoneração da assistente social Suellen Cruz, sob pressão de grupos bolsonaristas, indica a influência da extrema direita nas decisões do governador, que também defende o endurecimento na segurança pública. Em comparação com seu principal adversário nas eleições de 2026, Lorenzo Pazolini (Republicanos), Ferraço, um político com ampla trajetória e vinculação ao establishment, apresenta semelhanças na defesa de pautas conservadoras, mas uma diferença clara no estilo de governar. Ambos se posicionam como homens de família e conservadores, mas suas formas podem ser mais distintas do que o conteúdo de suas políticas.
Em resumo, a nova gestão de Ferraço sinaliza uma mudança clara em relação ao tratamento de questões sociais e de direitos humanos, propondo um diálogo mais alinhado com um viés conservador que pode impactar significativamente a política capixaba nos próximos anos.
Foto: Leonardo Sá
Fonte: Século Diário

