O aumento da presença de tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara está instigando pesquisadores, graças aos dados recolhidos pelo Projeto Aruanã desde 2024. Essas observações são cruciais, pois a espécie, conhecida por seu habitat majoritariamente oceânico, está ameaçada de extinção.
Desde meados de 2025, a frequência com que esses animais têm sido avistados no interior da baía cresceu significativamente. Isso gerou curiosidade entre cientistas e pescadores locais, que notaram sua entrada em currais de pesca. Em abril do mesmo ano, dois indivíduos foram marcados em um episódio sem precedentes, segundo o Projeto Aruanã. Tais iniciativas apontam que as tartarugas podem estar encontrando na Baía de Guanabara um novo nicho ecológico, rico em alimentos como crustáceos.
“Dessa forma, estamos abrindo caminho para entender melhor a dinâmica dessa espécie na baía,” explicou a bióloga Larissa Araujo. Ela e sua equipe estão planejando estudos adicionais com o uso de transmissores via satélite para mapear as rotas e áreas preferenciais desses animais dentro da baía. Suzana Guimarães, coordenadora-geral do projeto, ressalta que embora a presença das tartarugas indique uma capacidade de adaptação do ecossistema, ainda é prematuro correlacionar diretamente isso à melhoria ambiental na área.
A pesquisa depende também do apoio da comunidade local. Pescadores e moradores ajudam na identificação e comunicação de avistamentos à equipe do projeto, bem como auxiliam na coleta de dados quando os animais ficam presos nos currais de pesca. O caso de Jorge, uma tartaruga macho reabilitada e solta que entrou na baía poucos meses após sua liberação, evidenciou ainda mais a riqueza e resiliência do ecossistema local.
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Este trabalho contínuo oferece insights valiosos sobre a interação entre a biodiversidade marinha e as atividades humanas, contribuindo para futuras ações de conservação e gestão ambiental na região.
Tartarugas-cabeçudas reaparecem na Baía de Guanabara
Meio Ambiente

