Lula Defende Parceria Energética com Europa e Proteção ao Trabalhador em Discurso na Hannover Messe
Neste domingo (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de uma matriz energética limpa em uma parceria com a Europa, durante sua participação na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo. Em seu discurso, Lula enfatizou a necessidade de descarbonizar a indústria, afirmando que o Brasil pode contribuir significativamente para a redução de custos energéticos no bloco europeu. “É essencial que as regras da União Europeia levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, declarou.
O presidente, que esteve acompanhado pelo chanceler alemão Friedrich Merz, criticou ainda algumas das consequências geopolíticas atuais, mencionando a guerra impulsionada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que classificou como “maluquice”. Além disso, Lula usou a plataforma para combater “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira, sublinhando que a criação de barreiras ao acesso a biocombustíveis seria contraproducente tanto do ponto de vista ambiental quanto energético.
Lula aproveitou a ocasião para apresentar um ambicioso programa que será implementado em 2026 e que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Ele abordou os paradoxos da inteligência artificial, ressaltando que, embora essa tecnologia possa aumentar a produtividade, também pode ser utilizada para fins bélicos sem supervisão adequada. “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano”, afirmou.
Mercado de Trabalho e Empregos
No que diz respeito ao mercado de trabalho, Lula destacou que o Brasil registra o menor índice de desemprego de sua história. Ele defendeu a redução da jornada de trabalho, sugerindo o fim da escala 6×1, para garantir melhores condições de descanso aos trabalhadores. Em seu discurso, apelou a empresários e pesquisadores para que considerem os impactos das tecnologias de inteligência artificial sobre o emprego.
O presidente ressaltou que, junto com o progresso tecnológico, deve vir uma responsabilidade social, alertando que “se [a inteligência artificial] não gerar empregos, o mundo só tende a piorar”. Lula também considerou que o cenário atual de conflitos internacionais e especulações de preços de commodities está afetando negativamente os mais vulneráveis, que são os que mais sofrem com a inflação dos alimentos.
Críticas ao Cenário Global
Em sua análise do conflito no Oriente Médio e suas consequências, o presidente afirmou que o Brasil é um dos países menos afetados pela chamada “maluquice da guerra feita com o Irã”. Ele mencionou que o país importava 30% do óleo diesel utilizado e que o governo tomou medidas internas para mitigar os impactos dessa situação. O presidente condenou os enormes gastos em guerras, totalizando US$ 2,7 trilhões, e pediu responsabilidade coletiva aos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que inclui Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Sublinhou ainda que essa guerra tem consequências diretas sobre os preços de petróleo, energia e fertilizantes, aumentando a insegurança alimentar. “O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”, declarou.
Lula reforçou seu compromisso de reduzir o desmatamento na Amazônia a zero até 2030 e destacou que, nos últimos três anos, houve uma redução de 50% do desmatamento na Amazônia e de 32% no Cerrado. Ele também apresentou iniciativas do Brasil para uma matriz energética sustentável, com 90% da energia elétrica proveniente de fontes limpas, e um foco no desenvolvimento de biocombustíveis que não comprometam a produção de alimentos.
Energia Limpa e Minérios Críticos
O presidente mencionou ainda o potencial do Brasil em produzir hidrogênio verde a um custo competitivo no mercado global e a relevância da exploração de minérios críticos para a descarbonização. Ele, no entanto, reiterou que não vê o Brasil apenas como um exportador de minerais, mas como um parceiro internacional, buscando transferências de tecnologia e colaboração no desenvolvimento sustentável.
O discurso de Lula foi recebido com aplausos e entusiasmo por parte dos participantes da Hannover Messe, incluindo representantes de diversos governos e setores empresariais, evidenciando a relevância do Brasil no cenário internacional para questões de sustentabilidade e inovação tecnológica.

Créditos: Agência Brasil
Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização
Fonte: Agencia Brasil.
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