Cidades do Futuro: Integrando a Natureza ao Urbanismo
As grandes cidades enfrentam o desafio de lidar com a crise climática e a crescente urbanização, e uma proposta inovadora surgiu no Seminário Internacional Transmutar, realizado no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Pesquisadores e ativistas, incluindo o renomado neurobiólogo italiano Stefano Mancuso, defendem a incorporação das florestas ao planejamento urbano, uma ideia que remete a civilizações antigas da Amazônia, onde o urbanismo coexistia harmoniosamente com a natureza. Durante o evento, que ocorreu no último final de semana, Mancuso apresentou o conceito de “fitópolis” — cidades que imitam a organização das plantas, enfatizando a importância de interações mais fluidas entre seres humanos e o ambiente natural.
O conceito de fitópolis visa transformar as cidades em organismos urbanos inteligentes e resilientes, propondo uma redução do concreto e do asfalto em favor de áreas arborizadas, que, segundo Mancuso, poderiam melhorar significativamente a qualidade de vida urbana. O pesquisador sugere que uma cidade ideal deveria ter cobertura vegetal de pelo menos 60% e uma rede de transporte público eficiente, eliminando veículos movidos a combustão, uma estratégia alinhada com as tendências de sustentabilidade que têm surgido globalmente. Em um contexto onde 70% da população mundial reside em cidades, as propostas apresentadas podem ser uma resposta direta à necessidade de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Mancuso enfatiza que as plantas, longe de serem meros recursos, são sistemas complexos que desempenham um papel crucial em nossa sobrevivência. O debate em Brumadinho contou também com a participação de outros especialistas, como o ecólogo Fabio Scarano e o arqueólogo Eduardo Góes Neves, que exploraram as lições do urbanismo indígena da Amazônia e a necessidade de uma reavaliação da relação entre natureza e cidades. Neves, por exemplo, lembrou que as civilizações indígenas não só conviviam com a natureza mas a integravam em seus projetos urbanos, contrastando com a realidade das cidades modernas que frequentemente excluem a natureza de seu planejamento.
O evento teve ainda um componente histórico, celebrando também a 22ª Semana do Meio Ambiente e destacando a importância das trocas culturais entre seres humanos e não humanos, como defendia o pensador quilombola Nêgo Bispo. Sua filha, Joana Maria, reforçou a necessidade de um relacionamento mais afetuoso com a natureza, enfatizando que nossa sobrevivência está diretamente ligada à saúde de nossos ecossistemas.
Conjuntamente, a proposta do seminário busca promover um repensar do urbanismo contemporâneo à luz da sabedoria ancestral e das pesquisas em neurobiologia vegetal, com o objetivo de construir um futuro mais sustentável e harmônico entre as cidades e seus ambientes naturais.
Imagens:
- Stefano Mancuso no Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
- Eduardo Góes Neves, arqueólogo e antropólogo, durante o seminário. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
- Alita Mariah, diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, no evento. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
- Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do seminário. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores
Fonte: Agencia Brasil.
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