Parque da Serrinha do Paranoá é Criado, Mas Riscos Ambientais Persistem
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, assinou um decreto nesta terça-feira (7) que oficializa a criação do Parque da Serrinha do Paranoá, uma nova unidade de conservação com o objetivo de proteger recursos ambientais importantes. No entanto, a área designada para o parque, que se estende por 65,9 hectares, não inclui a Gleba A, um terreno de 716 hectares que foi utilizado como garantia para empréstimos destinados a salvar o Banco de Brasília (BRB). Essa situação levanta preocupações entre ambientalistas e ativistas da região, que apontam riscos contínuos à biodiversidade e aos córregos da área, destacando que a falta de proteção da Gleba A poderá abrir caminho para a urbanização.
Lúcia Mendes, diretora da Associação Preserva Serrinha, criticou a decisão. “O novo parque não se sobrepõe à Gleba A, e a governadora não criou o Parque da Serrinha como ela afirmou”, disse. Mendes apresentou um mapa que evidencia a separação entre as duas áreas, alertando que a Gleba A corre o risco de ser transformada em um complexo habitacional, em resposta à crise financeira enfrentada pelo BRB, que vem lutando para se recuperar de um rombo bilionário associado ao caso Master.
O novo parque foi elaborado, segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), para “preservar recursos ambientais de relevância ecológica e paisagística, além de permitir atividades como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e recreação em contato com a natureza”. Entre suas particularidades estão a cachoeira do córrego Urubu e trechos de vegetação nativa do Cerrado, elementos vital para o equilíbrio ecológico da região.
Mas, enquanto o parque surge como um esforço de preservação, a Gleba A continua sem proteção efetiva, deixando seu ecossistema vulnerável. Mendes destaca que a impermeabilização de áreas por construções deve afetar a recarga de aquíferos, fundamentais para o abastecimento hídrico.
A criação da unidade segue uma trajetória conturbada, marcada por críticas de ambientalistas e protestos de moradores e acadêmicos. Na semana passada, Celina Leão havia anunciado a intenção de proteger uma área da Gleba, mas essa ação não se concretizou. A atual gestão enfrenta o legado da decisão do ex-governador Ibaneis Rocha, que autorizou o uso da Gleba A como garantia na tentativa de reerguer o BRB.
A Serrinha do Paranoá, entre as regiões do Varjão e do Paranoá, constitui um importante trecho de Cerrado nativo que abriga 119 minas d’água, essenciais para a manutenção do Lago Paranoá, fonte de abastecimento para a população do DF. Especialistas alertam que qualquer intervenção inadequada nesta área pode ter consequências irreversíveis para o meio ambiente local.
Em busca de esclarecimentos sobre a manutenção da Gleba A entre os imóveis utilizados para capitalização do BRB, a reportagem da Agência Brasil encaminhou solicitações à Secretaria de Comunicação do GDF, sem resposta até o fechamento desta edição.
Além disso, o Conselho Deliberativo da Área de Preservação Ambiental do Planalto Central divulgou uma moção técnica cobrando a criação de uma unidade de conservação integral para a Gleba A, destacando os múltiplos riscos ecológicos que a região enfrenta, como erosão, perda de vegetação e contaminação de água.
Recentemente, decisões judiciais se tornaram um novo capítulo nesse embate, já que a Justiça Federal havia proibido a venda da área ambiental, mas essa liminar foi posteriormente derrubada, permitindo o prosseguimento dos planos de alienação. As ações judiciais que contestam a alienação da gleba seguem em trâmite enquanto o BRB lida com uma crise de liquidez relacionada a práticas questionáveis em sua gestão.
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Área em amarelo representa a poligonal do Parque da Serrinha do Paranoá, enquanto a área em laranja abrange a Gleba A, trecho de Cerrado contínuo dado em garantia para salvar o BRB – Foto: Associação Preserva Serrinha/Divulgação.
Parque não inclui área destinada a salvar BRB, diz associação
Fonte: Agencia Brasil.
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