Educação Infantil: Letramento Linguístico Predomina em Relação à Matemática nas Redes Municipais
As redes municipais de ensino, responsáveis pela gestão da educação infantil no Brasil, estão adotando um enfoque consideravelmente maior em práticas de letramento e experiências com a linguagem do que em letramento matemático. De acordo com o relatório Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública, quase 76% dos municípios implementam práticas voltadas à linguagem e à cultura escrita, enquanto apenas 48% deles incorporam estratégias de letramento matemático na educação infantil. Este dado, que foi divulgado no dia 25 de setembro pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), destaca um aspecto crítico da formação da primeira infância e suas implicações no desenvolvimento educacional, social e emocional das crianças.
O levantamento, que reuniu informações de 2.712 redes municipais de ensino, abrangendo cerca de 49% do total do país, também revelou que 20% das secretarias municipais de educação não possuem iniciativas voltadas para o letramento na primeira infância. Além disso, um dado preocupante é que 23% das prefeituras não possuem clareza sobre se as unidades conveniadas da pré-escola estão adotando essas estratégias de letramento em matemática e linguagem. As conveniadas são unidades parceiras que buscam atender a demanda por vagas em tempo ágil.
A gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sonia Dias, reforçou a necessidade de um acompanhamento rigoroso e um suporte técnico adequado às secretarias de educação, a fim de mitigar desigualdades educacionais. “Ainda que não se configurem como redes paralelas, o acompanhamento das secretarias é essencial, tanto nas suas redes próprias quanto nas unidades conveniadas”, destacou.
Dados e Desafios nas Redes Municipais
A pesquisa também apresentou dados significativos sobre o suporte e as iniciativas das secretarias municipais. Aproximadamente 62% das redes apoiam o contato das crianças com a natureza e o meio ambiente, enquanto 58% oferecem formação continuada focada no desenvolvimento infantil. Por outro lado, o estudo identificou que um terço dos municípios não recebe nenhum apoio da Secretaria Estadual para educação infantil. Entre as principais necessidades levantadas estão o apoio financeiro e a formação de profissionais.
O relatório evidenciou ainda que 63% dos municípios seguem a matriz curricular estadual em colaboração, com 34% adotando um currículo próprio e 2% sem currículo definido para a educação infantil. A adequação dos Projetos Político-Pedagógicos (PPP) às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) revela um desafio, com 37% das secretarias relatando dificuldades.
A transição das crianças da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental também foi abordada. Segundo os dados, 17% das redes não realizam planejamento articulado entre as etapas, e 13% não implementam estratégias de transição, como o uso de portfólios de acompanhamento. Essas questões são cruciais, pois uma falta de continuidade pedagógica pode afetar negativamente essa fase de transição.
Infraestrutura e Inclusão na Educação Infantil
O relatório identificou que a infraestrutura inadequada das unidades de ensino é um dos maiores desafios enfrentados pelas redes municipais, com 23% dos gestores apontando esse problema como central. Questões relacionadas a repasses para manutenção, aquisição de materiais pedagógicos e ampliação de vagas em creches foram amplamente destacados como entraves.
Além disso, a inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências foi identificada como um desafio pedagógico por 15% dos gestores. A pesquisa sugere a necessidade de políticas que garantam ampla acessibilidade nas escolas, ressaltando que apenas 28% das secretarias conseguem implementar propostas voltadas a populações em situação de vulnerabilidade, como as de educação do campo, indígena e quilombola.
Por fim, as questões relacionadas à formação continuada de professores e gestores escolares continuam a ser um desafio. Dentre as razões listadas, destacam-se a falta de formação adequada e o baixo engajamento de profissionais nas formações oferecidas.
As informações foram coletadas em um contexto crítico, onde é fundamental que a educação infantil receba atenção e investimento adequados, garantindo condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento para todas as crianças.
Estudo aponta avanços na educação infantil em linguagem e matemática
Fonte: Agencia Brasil.
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