Instituto Sumaúma revela a conexão de entidades quilombolas com as agendas ambiental e racial
Uma inédita pesquisa realizada pelo Instituto Sumaúma destaca a intensa conexão das entidades quilombolas com as causas de justiça climática, racial e territorial no Brasil. O estudo, que contou com a participação de diversos comunicadores e líderes comunitários, traçou um panorama das práticas culturais e comunicacionais dessas populações, oferecendo uma visão abrangente de suas lutas e conquistas.
O trabalho do Instituto Sumaúma, voltado para o impacto social e o apoio a minorias étnicas e sociais, é especialmente relevante ao fomentar o reconhecimento e a valorização dessas comunidades historicamente marginalizadas. Segundo Juliane Sousa, pesquisadora quilombola e consultora da pesquisa, o levantamento vem para formalizar e impulsionar a visibilidade das práticas culturais quilombolas que já são tradicionais, porém, frequentemente ignoradas pelas grandes mídias e iniciativas governamentais.
A pesquisa marcou o registro de atividades como comemorações locais, práticas agrícolas sustentáveis e artesanato, além de destacar a preocupação dessas comunidades com temas como racismo, educação e demarcação territorial. Encontrar-se diante de 53 agentes de comunicação e realizar grupos focais com lideranças, permitiu abordar as diversas facetas da vida quilombola, desde suas ricas tradições culturais até as adversidades enfrentadas como o limitado acesso à internet e outros recursos tecnológicos.
O Instituto Sumaúma criou ainda um mapa interativo, que facilita a localização e o contato com comunicadores e agentes culturais quilombolas por todo o país, uma ferramenta essencial para a promoção do engajamento e da colaboração intercomunitária.
A pesquisa foi rica em detalhes e insights, incluindo exemplos positivos como o da Rede Kalunga de Comunicação, que atua na Chapada dos Veadeiros destacando a história e a cultura do maior território quilombola do Brasil em extensão. A rede tem como foco o fortalecimento da autoestima e da identidade kalunga, promovendo uma narrativa autêntica e interna das comunidades.
Este estudo não só lança luz sobre os quilombos enquanto centros vibrantes de cultura e resistência, mas também exorta as autoridades e a sociedade civil a reconhecerem e apoiarem mais efetivamente essas comunidades em suas jornadas por equidade e justiça social, onde o reconhecimento passa necessariamente pelo apoio às suas expressões culturais e comunicativas.
*Imagens utilizadas na pesquisa são cortesia da Agência Brasil.
Quilombolas estão alinhados a agendas de justiça climática, diz estudo
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