COP 30: A Conferência da Implementação das Mudanças Climáticas
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, será marcada como a COP da implementação, conforme destacou a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, durante sua participação na aula magna do Congresso das Universidades Ibero-americanas, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O evento, que começou na terça-feira, 20, e prossegue até o dia 24 de outubro, busca preparar o terreno para a COP 30, que se realizará em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro de 2025. A ministra ressaltou a urgência de ações concretas para enfrentar a crise climática, afirmando que "agora não tem mais o que fazer. É implementar, implementar, implementar".
Durante seu discurso, Silva enfatizou a justiça social como uma prioridade nas discussões, especialmente em relação aos grupos mais vulneráveis ao impacto das mudanças climáticas. A ministra também refletiu sobre a histórica publicação de Svante Arrhenius, que em 1896 primeiro alertou sobre as consequências da ação humana no aquecimento global. "Cada vez mais as políticas terão que ser feitas com base em dados e evidências", apontou, sublinhando a importância da ciência na formulação de estratégias eficazes de proteção ambiental.
A COP 30 não será apenas uma plataforma de discussão, mas também um palco para ações efetivas que garantam a continuidade das metas do Acordo de Paris, que limita o aumento da temperatura global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. A ministrante pressionou os governos e empresas a adotarem esse compromisso irrestrito.
Diálogo Religioso e Compromissos Ecológicos
O evento também teve a exibição de um vídeo do papa Leão XIV, que convidou os reitores universitários a refletirem sobre a remissão entre a dívida pública e a dívida ecológica, conforme sugerido por papa Francisco em sua mensagem para a Jornada Mundial pela Paz de 2025. A ministra destacou a importância desse diálogo inter-religioso, citando a encíclica Laudato Si’, que defende o cuidado com o meio ambiente e a interconexão entre a humanidade e a Terra.
Em relação ao projeto de lei que estabelece um novo marco legal para o licenciamento ambiental no Brasil, Marina Silva expressou suas preocupações. "O que foi aprovado no Senado é como se fosse uma demolição da base de proteção de um país que tem 11% da água doce e 22% das espécies vivas do planeta", criticou a ministra, reiterando a necessidade de preservar a legislação ambiental existente.
O congresso, que conta com a participação de representantes de mais de 200 universidades da América Latina, Caribe, Espanha, Portugal e Estados Unidos, visa promover a cooperação entre academia e setor público e privado, buscando estratégias inovadoras e justas para enfrentar os desafios ecológicos prementes.
As discussões em torno da COP 30 e as ações propostas buscam estabelecer um compromisso global que encare a realidade das mudanças climáticas, ressaltando a urgência de soluções práticas e a responsabilidade coletiva para preservação do nosso planeta.
COP 30 deve ser hora de implementar, diz Marina Silva
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente

