Sítios Protegidos da Unesco: Impactos Ambientais e Sociais em Destaque
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado nesta terça-feira (21) em Paris, ressalta a importância dos sítios protegidos da Unesco, tanto para as populações locais quanto para a biodiversidade do planeta. Com mais de 2.260 áreas sob sua proteção, esses locais representam uma rica tapeçaria de ecossistemas e culturas que, segundo o documento, devem ser priorizados urgentemente. No Brasil, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional do Iguaçu se destacam como exemplos de áreas que contribuem significativamente para a preservação do meio ambiente e para a manutenção de modos de vida sustentáveis.
O relatório intitulado People and Nature in Unesco Sites: Global and Local Contributions examina pela primeira vez a interconexão entre as comunidades e a natureza em diversos tipos de sítios, incluindo Patrimônios Mundiais e Reservas da Biosfera. As áreas protegidas da Unesco, que juntos abarcam mais de 13 milhões de quilômetros quadrados, são fundamentais para a conservação de mais de 60% das espécies catalogadas no mundo, sendo que cerca de 40% delas não são encontradas em nenhum outro lugar. Esses locais, além de abrigarem biodiversidade única, também são fundamentais para a mitigação das mudanças climáticas, armazenando aproximadamente 240 gigatoneladas de carbono.
No Brasil, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, recentemente revalidado como Patrimônio Mundial, e o icônico Parque Nacional do Iguaçu, inscrito na lista da Unesco desde 1986, desempenham papéis críticos na preservação de espécies ameaçadas, bem como na manutenção de ecossistemas sãos e resilientes. O relatório aponta que as populações de animais selvagens nas áreas protegidas pela Unesco se mantiveram estáveis em meio a uma queda global de 73% desde 1970, o que destaca o potencial positivo dessas regiões.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Parque Nacional dos Lençóis abriga espécies ameaçadas como o guará e o peixe-boi-marinho, além de uma diversidade de flora e fauna que inclui mais de 400 espécies de aves.
Além dos aspectos ambientais, o documento da Unesco enfatiza a importância cultural dessas áreas, que abrigam quase 900 milhões de pessoas, ou 10% da população mundial, e são lar de mais de mil línguas. Quase 25% dos sítios incluem terras de povos indígenas, um percentual que sobe para quase 50% em regiões como a África e a América Latina. Essa intimidade entre cultura e natureza acentua a necessidade de políticas que integrem a conservação da biodiversidade às realidades socioeconômicas das comunidades locais.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, reforçou que as regiões protegidas não apenas sustentam a biodiversidade, mas também promovem o bem-estar humano. Ele alerta para a crescente pressão que esses sítios enfrentam, com quase 90% deles sujeitos a altos níveis de estresse ambiental. O relatório indica que, se medidas não forem adotadas rapidamente, as consequências poderão ser irreversíveis, afetando a biodiversidade e o equilíbrio climático em níveis críticos.
Imagem: Cataratas do Iguaçu no Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.
Unesco destaca contribuição de seus sítios para o meio ambiente global
Fonte: Agencia Brasil.
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