O jovem líder Ibrahim Traoré e a luta por uma nova Burkina Faso
Com um discurso marcadamente anti-imperialista, nacionalista e pan-africanista, Ibrahim Traoré, o atual presidente interino de Burkina Faso, tem se destacado na política africana ao reivindicar a herança de ícones anticoloniais, como Thomas Sankara e Patrice Lumumba. Assumindo o poder após um golpe militar em setembro de 2022, Traoré se posiciona como um símbolo de transformação e resistência contra influências estrangeiras, especialmente as de potências ocidentais, como França e Estados Unidos. Ao desmantelar uma tentativa de golpe em abril deste ano, ele reafirmou o compromisso de construir um "novo Burkina Faso e uma nova África, livre do imperialismo e do neocolonialismo".
Com uma população de aproximadamente 23 milhões de habitantes, Burkina Faso enfrenta um grave desafio: uma guerra civil instaurada por grupos terroristas islâmicos, com a qual o governo ainda tenta lidar. As ações de Traoré, que incluem a expulsão de tropas francesas, a nacionalização de minas e a busca por acordos com potências como Rússia e China, refletem uma tentativa de romper com a tradição colonial e fomentar um sentido renovado de soberania nacional. O sociólogo Raphael Seabra, da Universidade de Brasília (UnB), explica que o imperialismo tradicionalmente se manifesta pela subordinação econômica e política de países periféricos a interesses centrais.
Histórias de resistência e legado
Traoré, ao se posicionar como um líder reformista, busca retomar o legado de Thomas Sankara, que revolucionou a política burquinense nos anos 1980 antes de ser assassinado em 1987. O jurista e analista geopolítico Hugo Albuquerque observa que, além de seu forte apoio interno, Traoré está ampliando sua influência na região, simbolizando uma luta contra o colonialismo. “Ele se assenta em uma legitimidade popular grande dentro do país porque tem feito reformas e distribuído a renda da exploração mineral”, destaca.
Pesquisadores como Eden Pereira Lopes da Silva, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS), também notam que Traoré busca um aprofundamento do pan-africanismo, promovendo a união dos países africanos na resistência a interesses externos. “Ele percebeu que Burkina Faso não deveria manter a relação comercial subordinada aos interesses franceses”, afirma Silva.
Apesar do apoio popular e das reformas, o governo de Traoré enfrenta críticas. Especialistas indicam que a ascensão deste governo militar não se traduz em uma democracia liberal, mas representa uma resposta aos anseios de setores da sociedade que se sentem excluídos do processo político.
A luta contra o terrorismo
Traoré também assumiu em um contexto onde o terrorismo se intensifica, com o Centro Africano de Estados Estratégicos reportando um triplo aumento no número de mortos pelo terrorismo em Burkina Faso nos 18 meses anteriores ao seu governo. O analista Hugo Albuquerque observa que o financiamento de grupos terroristas possui raízes em intervenções externas e conflitos geopolíticos.
Em uma reunião recente com Vladimir Putin, Traoré argumentou que o terrorismo no Sahel é consequência direta do imperialismo, afirmando: “Se acabarmos com esta guerra, se tivermos um exército forte, seremos capazes de nos engajar no desenvolvimento de nossa pátria”.
Desafios e perspectivas
A natureza complexa da política burquinense, marcada por revoltas históricas e a luta atual contra a pobreza e a violência, coloca Traoré em um caminho repleto de desafios. As ações urgentes que ele toma visam a criação de um novo paradigma para Burkina Faso, mas as consequências de suas decisões ainda precisam ser observadas em um contexto mais amplo. Com todas essas parcerias e movimentos, Traoré está decididamente moldando o futuro político e social de uma nação em busca de autonomia e prosperidade.
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Arte/Dijor
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Presidente Ibrahim Traoré de Burkina Faso. Foto @CapitaineIb226/ Instagram oficial
Líder anti-imperialista em Burkina Faso, Traoré se destaca na África
Fonte: Agencia Brasil.
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