São Paulo (Agência Brasil) – Em um diálogo aberto e esclarecedor, Vladimir Safatle, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), traz à tona a necessidade de reavaliar e nomear corretamente os fenômenos autoritários de extrema direita que marcaram e marcam o cenário político. Na véspera de sua participação no debate ‘Novos Fascismos Globais’, que integra a programação da Feira do Livro de São Paulo neste sábado (6), Safatle expressa preocupação com as dinâmicas sociais contemporâneas e a naturalização de atitudes que remetem a estruturas fascistas em democracias liberais.
O filósofo, que também é autor do livro “A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais”, articula um raciocínio vigoroso sobre como violências típicas de regimes totalitários têm sido, estranhamente, assimiladas pelas democracias. Segundo ele, é imperativo que os círculos acadêmicos repensem o fascismo para além dos eventos históricos italianos da década de 1930, observando o reflexo dessas práticas em nosso tempo e espaço.
As discussões levantadas por Safatle vão desde a violência histórica do fascismo, profundamente enraizada no colonialismo, até as mais recentes manifestações autoritárias em território brasileiro, que segundo ele, surgem como um retrato fiel dos dispositivos de controle e exclusão.
Durante a entrevista, ele relata como, em tempos de crises severas — ecológicas, econômicas, sanitárias —, o fascismo se manifesta através de uma gestão governamental que favorece a segregação e o sacrifício em detrimento da conservação da vida, comparando essas ações com a resposta do governo brasileiro à pandemia COVID-19, realçando o desafio dessa negligência com a saúde pública como uma forma de violência fascista.
Essa abordagem contemporânea do fascismo, para Safatle, não é uma anomalia, mas um recurso racional de sobrevivência para certos grupos, que, infelizmente, beneficia-se à custa do esfacelamento da sociedade. Confrontado com essa dolorosa realidade, ele faz um apelo aos partidos políticos e às organizações sociais para que compreendam profundamente e atuem contra a gravidade deste fenômeno, exercendo um papel ativo na reconstrução de uma sociedade mais inclusiva e justa.
A programação ‘Novos Fascismos Globais’, que contará com o professor Safatle, promete ser um espaço de reflexão crítica, buscando alternativas para o enfrentamento deste obscurantismo que se alastra.
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Safatle afirma que pensadores não podem ter medo de nomear o fascismo
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