Paysandu: Reestruturação em Meio a Desafios
A temporada de 2026 marca um importante processo de reestruturação no Paysandu, que após um ano conturbado, envolvendo rebaixamento e renúncia do presidente, traça novos rumos em todos os seus setores. Sob a supervisão do Departamento Jurídico, fundamental na mitigação de riscos e na defesa institucional, o clube busca não apenas superar os desafios recentes, mas também estabelecer uma nova cultura organizacional.

📷 Equipe jurídica do Paysandu é apresentada durante coletiva no Banpará Curuzu | Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu
Em uma entrevista recente, liderada por Bruno Castro, os advogados do time bicolor revelaram suas rotinas e as estratégias inovadoras para enfrentar as dificuldades que se aproximam. A regularização do clube perante as autoridades estaduais e federais é um dos focos principais, além da redução das ações judiciais, através de negociações e revisões contratuais.
Uma das iniciativas significativas foi a adesão ao Programa de Regularização Fiscal do Pará (Prorefis), promovido pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa). Dessa forma, o clube conseguiu parcelar suas dívidas estaduais, obtendo maior flexibilidade financeira e a possibilidade de garantir certidões negativas, essenciais para novos patrocínios.
“Os projetos chegam com mais facilidade aos clubes que estão devidamente organizados. Sem as certidões, por exemplo, o Paysandu não teria recebido os valores da Copa Verde.”, observou Bruno Castro.
Internamente, a fusão do departamento jurídico com o setor de futebol é um passo importante. Segundo Castro, o jurídico agora participa desde as primeiras negociações de contratações.

📷 Bruno Castro – diretor jurídico; Márcio Tuma – presidente; e Thiago Bentes – executivo administrativo | Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu
“Quando o futebol inicia uma negociação, o contrato passa pelo jurídico, que analisa riscos e sugere ajustes. Não temos poder de veto, mas indicamos caminhos mais seguros para o clube.”, explicou Bruno.
O caráter preventivo do trabalho é notável na área disciplinar, onde o club consegue evitar punições comuns, como perda de mando de campo e multas no STJD.
“Isso não acontece por acaso. Houve eficiência na gestão desses processos.”, afirmou Bruno.
Apesar dos avanços, o Paysandu ainda enfrenta um volume significativo de processos judiciais, que totalizam R$ 15.526.518,26, incluindo a multa de R$ 1,5 milhão resultante de atrasos salariais. O clube destaca que esses valores referem-se a reivindicações em processos em andamento, e não a condenações definitivas.
“Temos várias ações trabalhistas em andamento, mas que não geram preocupação imediata, porque ainda haverá audiências, contestações e recursos.”, disse o advogado Andrey Damasceno.
A multa de R$ 1,5 milhão é reflexo do descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) de 2008 com o Ministério Público do Trabalho.
“É um acordo antigo, que obrigava o clube a nunca mais atrasar salários. O descumprimento gerou uma multa milionária. É um exemplo claro de como decisões do passado impactam diretamente o presente.”, destacou Castro.

Márcio Tuma assume presidência do Paysandu e prioriza resolução de dívidas trabalhistas | Jorge Luis Totti, ascom Paysandu
Além disso, o clube busca inovações ao romper práticas tradicionais, como a antecipação frequente de receitas.
“Hoje há diálogo, modelo definido e mais credibilidade. Se o jogador não aceita, segue o caminho dele.”, conclui Bruno.

📷 Igor Cardoso, Gabriella Sifuente, Bruno Castro, Mateus Casemiro e Andrey Damasceno formam o Departamento Jurídico do Paysandu. (Cristino Martins / O Liberal)
Com essas medidas, o Paysandu mostra que está se adaptando a um novo contexto, buscando não apenas soluções para os problemas existentes, mas também criando um ambiente propício para um futuro mais sustentável e organizado.
Em Resumo
Estratégia silenciosa: Paysandu aposta no jurídico para evitar crises
Fonte: Futebol BR

