A partir de 27 de outubro, o Bumbódromo de Parintins no Amazonas se torna palco do Festival de Parintins, não só celebrando a histórica rivalidade entre os bois Garantido e Caprichoso, mas também abraçando uma nova causa: a conservação da Amazônia. Este ano, junto às festividades, ambas as agremiações se unem no chamado Desafio dos Bumbás em apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Amazônia de Pé” (Plip). O movimento busca garantir a preservação de 50,2 milhões de hectares na Amazônia Legal, bloqueando o registro de terras públicas no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) por entidades privadas.
O projeto emergiu da análise do Observatório das Florestas Públicas e propõe um uso sustentável dessas áreas, apoiando comunidades tradicionais e indígenas, além de projetos de reflorestamento. Segundo Kaianaku Kamaiurá, líder do movimento, sem a proteção destas áreas, há um risco significativo para a capacidade de estoque de carbono, vital não apenas para a região, mas para o planeta.
Antes do início do festival, a coleta de assinaturas para o Plip já mobiliza residentes e turistas de Parintins. A iniciativa une arte e ativismo, destacando o papel crucial das tradições locais na defesa do ambiente. “Ao longo dos anos, a festa dos bois evoluiu para incorporar temas de resistência e reconhecimento cultural, e agora abraça também a conservação ambiental”, explicou Erick Nakanome e Alvatir da Silva, representantes de Caprichoso e Garantido, respectivamente.
A meta do desafio é superar 1,5 milhão de assinaturas, que precisam ser validadas em pelo menos cinco estados diferentes, para atender aos requisitos de uma iniciativa popular conforme a Constituição do Brasil e a Lei de Soberania Popular. Após a confirmação das assinaturas, a proposta segue os trâmites regulares de uma lei ordinária no Congresso.
A história mostra que iniciativas similares mobilizaram significativas mudanças legislativas, como a Lei da Ficha Limpa. A Câmara dos Deputados adverte, no entanto, que a verificação das assinaturas pode prolongar o processo, o que muitas vezes necessita de apoio parlamentar ou acúmulo de assinaturas posteriores para garantir progresso das proposições.
Os torcedores e participantes do festival têm até o dia 14 de julho para contribuir com suas assinaturas, com incentivos de prêmios individuais e coletivos, promovendo uma competição amistosa que beneficia tanto a cultura local quanto a preservação da Amazônia. Cada assinatura recolhida é mais um passo em direção a um futuro sustentável para a rica biodiversidade e o patrimônio cultural da região.
Festival de Parintins mobiliza torcidas em defesa da floresta
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