Acidificação dos Oceanos Ultrapassa Limite Seguro, Revela Estudo
A estabilidade dos oceanos enfrenta uma nova ameaça, conforme aponta pesquisa recente do Laboratório Marinho de Plymouth, no Reino Unido. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (9), confirma que em 2020, os níveis de acidificação oceânica superaram os parâmetros considerados seguros para o equilíbrio do planeta. Este fenômeno é impulsionado pela absorção excessiva de dióxido de carbono (CO2), exacerbada pelas atividades humanas que continuam elevando a concentração deste gás na atmosfera.
Os pesquisadores utilizaram métodos modernos e modelos computacionais avançados para analisar mais de um século e meio de amostras, identificando que a acidez dos oceanos passou a afetar negativamente a formação e fortaleza de estruturas vitais, como esqueletos de coral e conchas de moluscos. Isso diminui a capacidade desses organismos de interagir com seus ambientes, segundo explicou Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.
O estudo propõe um limite de 10% de redução na concentração de carbonato de cálcio em relação aos níveis pré-industriais como o novo padrão para este limite planetário. "A ultrapassagem deste limite já afeta 60% do oceano até 200 metros de profundidade e 40% do oceano superficial globalmente", declaram os cientistas.
Letícia Cotrim, coordenadora do Laboratório de Oceanografia Química da UERJ, reforça que a acidificação pode também alterar significativamente a fisiologia, crescimento e reprodução das espécies, comprometendo a biodiversidade marinha.
No contexto brasileiro, especialmente com a realização da próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30) no país, o Brasil é visto como um possível líder nas discussões sobre medidas efetivas para mitigar esse fenômeno. "Teremos a oportunidade de fortalecer os argumentos pela redução de emissões de carbono e pelo aumento do sequestro e armazenamento de CO2", afirma Turra.
Este estudo não apenas reafirma as advertências científicas de longa data sobre as emissões de CO2 mas também destaca as consequências diretas que tais ações têm no ambiente marinho global.
Fontes: Laboratório Marinho de Plymouth, Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
Estudo aponta que acidez dos oceanos ultrapassou o limite
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