Mônaco, 08 de junho de 2025 – Durante sua participação no Fórum de Economia e Finanças Azuis em Mônaco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a redução de 7% na Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) para 2024, alertando sobre o aumento simultâneo de 9,4% nos gastos militares pelos países ricos. Essa mudança, segundo ele, reflete uma falta de compromisso político com o financiamento necessário ao desenvolvimento sustentável.
A redução desse auxílio, que é destinado principalmente ao alívio da pobreza e ao incentivo do progresso nos países em desenvolvimento, contrasta com a expansão dos orçamentos militares. Lula enfatizou a importância de focar os esforços financeiros para enfrentar desafios globais críticos, como a conservação ambiental e a redução da desigualdade.
Durante o evento, Lula também abordou a importância da economia azul — o conjunto de atividades econômicas que dependem do mar — e sua conservação. Ele destacou os oceanos como um dos pilares para a regulação do clima e uma fonte vital para a economia global, sublinhando que os recursos para a proteção dos mares são insuficientes, com um déficit de financiamento estimado em US$ 150 bilhões por ano para implementar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14.
Segundo o presidente, é crucial avançar em iniciativas globais, como a eliminação da poluição por plásticos nos oceanos e a implementação de tratados para proteção da biodiversidade marinha. Além disso, ele mencionou a importância de metas vinculativas para neutralizar as emissões de carbono na navegação marítima até 2050, o que impulsionaria o setor de energias renováveis.
Em razão das críticas ao financiamento climático na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), Lula expressou a ambição do Brasil em liderar mudanças significativas na próxima COP30, que será realizada em Belém. Ele reiterou a necessidade de ação coletiva para superar os desafios globais e reforçou a dependência dos países em desenvolvimento em relação à economia azul, destacando a vulnerabilidade dessas regiões a eventos climáticos extremos e elevação do nível do mar.
O presidente ainda falou sobre as ações brasileiras para fortalecer a economia azul, citando programas como o Bolsa Verde e investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a conservação costeira e a descarbonização de infraestruturas navais.
Durante a estadia na França, Lula tem agendas fechadas com lideranças europeias e participará da 3ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos em Nice.
Foto de encerramento do evento em Mônaco – créditos: Ricardo Stuckert/PR.
Nota de encerramento: Este artigo foi redigido com informações diretas do discurso do presidente Lula e dados oficiais sobre os eventos mencionados, destacando a relevância de investimentos em desenvolvimento sustentável e conservação ambiental.
Lula critica redução de apoio ao desenvolvimento de países mais pobres
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