O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), apresentou sua prestação de contas na Câmara Municipal, recebendo tratamento cordial, até mesmo de parlamentares da oposição. O clima amigável foi evidenciado, exceto por um embate com o vereador Pedro Trés (PSB), que criticou a gestão do prefeito e questionou a preservação de patrimônios históricos.
O único momento tenso ocorreu durante a intervenção de Trés, que argumentou que os índices positivos da administração municipal eram, em grande parte, decorrentes da gestão estadual de Renato Casagrande (PSB). Trés também destacou a situação do Mercado da Capixaba, alegando que a reinauguração foi feita com detalhes estruturais incompletos. Em resposta, Pazolini acusou Trés de “estuprar os números” e reiterou a importância de Vitória no bom desempenho do estado. O prefeito não se aprofundou na questão do Mercado da Capixaba, mas destacou ações como a entrega do Mercado São Sebastião à associação de moradores e um edital em breve para o restauro do Cais do Hidroavião, além de reconhecer os desafios enfrentados na Chácara Von Schilgen.
A vereadora Ana Paula Rocha (Psol) criticou as políticas de moradia e apresentou dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) que apontam um déficit habitacional de 11 mil residências em Vitória. Ela questionou ainda o uso do bônus moradia, que estaria sendo utilizado para a compra de imóveis fora da capital, e os reajustes salariais para servidores, além de indagações sobre a terceirização na saúde.
Pazolini respondeu que havia distorções nos dados sobre o déficit habitacional, esclarecendo que as informações apontam para moradias precárias. Sobre o bônus moradia, o prefeito defendeu sua utilização para atender vítimas de violência doméstica. Ele também ressaltou que a atual gestão já implementou um reajuste salarial de 32,2% aos servidores, além de um aumento de 157,7% no tíquete-alimentação. Afirmou que suas terceirizações contribuíam para a ampliação da força de trabalho no município.
Demais vereadores de oposição, como Raniery Ferreira (PT) e Bruno Malias (PSB), adotaram um tom elogioso, agradecendo pelas entregas na Grande Goiabeiras. Dárcio Bracarense (PL) levantou dúvidas sobre o índice de 569 dias sem feminicídios, apontando um caso ocorrido em novembro, e criticou o veto do prefeito a um projeto de lei sobre saúde mental. Pazolini defendeu que o assassinato ainda está sob investigação e retificou o veto, mencionando um vício de iniciativa na proposta, demonstrando disposição em abraçar o projeto.
Antes das perguntas, Pazolini apresentou números que considera positivos de sua gestão, destacando a aceleração da vacinação contra a Covid-19 em 2021, a reabertura das escolas e do comércio como alguns dos seus feitos. Também ressaltou que os investimentos próprios da Prefeitura de Vitória chegaram a R$ 2,5 bilhões sob sua administração, e citou conquistas como o título de “cidade mais inteligente e conectada”, 1º lugar nacional em alfabetização e a saúde mais bem avaliada do Brasil por dois anos consecutivos.

Fonte: Século Diário

