Justiça Federal de Minas Gerais dá início às audiências sobre o rompimento da barragem em Brumadinho
A Justiça Federal de Minas Gerais começou nesta segunda-feira (23) as audiências de instrução e julgamento relacionadas ao trágico rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. Nesta fase inicial, 17 réus, incluindo a mineradora Vale S.A., a multinacional TÜV SÜD e 16 ex-executivos, são investigados por crimes ambientais e 272 homicídios resultantes da tragédia. O vazamento de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de lama devastou a região, levando à confirmação de 272 mortes e uma catástrofe que atingiu significativamente o meio ambiente e a economia local.
As audiências terão a finalidade de ouvir os réus e testemunhas, além de aprofundar a produção de provas sobre possíveis falhas nos sistemas de segurança e condutas negligentes que tenham contribuído para o colapso da estrutura. Entre as questões centrais a serem abordadas estão as responsabilidades técnicas, decisões administrativas e as medidas de segurança adotadas antes da tragédia.
O processo prevê um total de 76 sessões que se estenderão até 17 de maio de 2027, com encontros marcados para as segundas e sextas-feiras, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte. A informação é crucial para a compreensão não apenas das responsabilidades individuais e corporativas, mas também do impacto ambiental e socioeconômico causado pelo desastre.
Histórico da Tragédia
O colapso da barragem B-I, de 86 metros de altura e 720 metros de comprimento, levou à destruição ambiental em larga escala, contaminando o Rio Paraopeba e afetando diversos ecossistemas e comunidades. Estudos indicam que a destruição se estendeu por mais de 20 municípios, causando danos irreparáveis à fauna, flora e cursos d’água. Os reflexos da tragédia não se limitaram à bacia do Paraopeba, atingindo também a Região Metropolitana de Belo Horizonte e impactando todo o Estado de Minas Gerais.
Construída em 1976 e adquirida pela Vale em 2001, a barragem era destinada à disposição de rejeitos do beneficiamento a úmido de minério de ferro. No momento do desastre, a empresa explicou que a estrutura estava inativa e em fase de descaracterização, ocupando uma área aproximada de 250 mil metros quadrados com os rejeitos. A tragédia de Brumadinho e seus desdobramentos permanecem no foco das atenção pública, enquanto as audiências se desenrolam.

Justiça inicia audiências sobre rompimento de barragem em Brumadinho
Fonte: Agencia Brasil.
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