No último domingo (4), uma reviravolta política na Venezuela resultou no reconhecimento da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país, em meio a um cenário de intensa agitação. As Forças Armadas venezuelanas, sob o comando do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, manifestaram apoio a este novo arranjo, destacando a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas como um ato de agressão. Padrino López chamou a situação de “ameaça global”, alertando que futuras intervenções podem atingir qualquer nação e reafirmando a rejeição ao que considerou uma tentativa colonialista dos EUA, sob a égide da doutrina Monroe. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) já havia determinado a ascensão de Rodríguez à presidência interina após a apreensão de Maduro e seu traslado para Nova York.
O ministro Padrino López, em um pronunciamento em vídeo, condenou a intervenção americana e pediu ao povo venezuelano que retome suas atividades cotidianas nos dias seguintes, ao afirmar: “Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”. A tensão no país aumentou dramaticamente no dia anterior, quando explosões foram relatadas em vários bairros de Caracas, precedendo a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Este episódio marca uma nova fase de intervenção militar dos EUA na América Latina, lembrando a invasão do Panamá em 1989, quando o presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob alegações de narcotráfico.
A captura de Maduro também reveste-se de um contexto de disputa geopolítica. Em anos recentes, o governo dos EUA sob a administração de Donald Trump não poupou esforços para desmantelar a liderança venezuelana, oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações sobre o presidente Maduro, que é acusado de liderar um suposto cartel de drogas, o De Los Soles, apesar da falta de provas concretas. Especialistas em tráfico internacional de drogas têm questionado a existência desse cartel, sugerindo que as alegações se tratam mais de uma estratégia geopolítica do que uma luta real contra as drogas.
Esse movimento americano é visto como parte de uma estratégia mais ampla para limitar a influência da Venezuela, que mantém laços com potências como China e Rússia e possui as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo. A situação na Venezuela continua a evoluir rapidamente, enquanto a comunidade internacional observa atentamente as implicações dessa nova diretiva política.
Forças Armadas da Venezuela reconhecem vice como presidente interina
Fonte: Agencia Brasil.
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