CulturaFazendeiro propõe criar centro de estudos sobre búfalos

Fazendeiro propõe criar centro de estudos sobre búfalos

Soure (PA) – Nas águas da Ilha de Marajó, crianças nadam e brincam com búfalos, um cenário que contrasta com o uso comum de tecnologias modernas como celulares e videogames. Em Soure, município com um dos maiores rebanhos de búfalos do país, esses animais são não apenas uma fonte de trabalho e alimento, mas também de lazer e aprendizado para os jovens locais que, entre saltos e mergulhos, adestram os mamíferos.

A Ilha de Marajó abriga entre 650 mil e 800 mil búfalos, sendo um ícone cultural e econômico da região. Esses animais são utilizados em diversos setores, desde o policiamento até a culinária, destacando-se na produção do tradicional filé mignon com queijo marajoara.

Enfatizando a importância cultural e econômica dos búfalos para a região, Carlos Augusto Gouvêa, da Fazenda e Empório Mironga, propõe a criação de uma universidade dedicada ao estudo dos búfalos, denominada Centro de Estudos da Bubalinocultura. Embora ainda não implementado, o centro aspira a promover pesquisas sobre genética, manejo e aproveitamento integral dos búfalos, envolvendo profissionais de diversas áreas.

Enquanto o projeto acadêmico não é realizado, a Fazenda Mironga oferece a “Vivência Mironga”, um programa de turismo pedagógico que desde 2017 atrai curiosos para conhecer as práticas agroecológicas e a produção de queijo artesanal local. Segundo Gabriela Gouvêa, filha de Carlos e presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQM), o turismo já representa dois terços das atividades da fazenda.

O queijo do Marajó, com seu sabor distintivo e valor cultural, foi o primeiro a obter inspeção oficial em 2013, e sua produção segue técnicas tradicionais que datam de séculos. A família Gouvêa teve papel crucial na legalização e reconhecimento do queijo, que hoje ostenta a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Na gastronomia local, Lana Correia, à frente do Café Dona Bila, incorpora sabores da culinária nordestina à riqueza dos ingredientes de Marajó, criando um vínculo emocional com os clientes que remete às memórias da infância. Em preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, Lana inovou no menu com pratos que destacam os produtos regionais.

Mesmo diante dos benefícios culturais e econômicos, a produção de búfalos enfrenta desafios ambientais significativos, principalmente relacionados à emissão de metano, um poderoso gás do efeito estufa, essencial para discussões futuras no Centro de Estudos da Bubalinocultura.

Reportagem realizada com apoio do Sebrae.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Fazendeiro planeja criar “universidade do búfalo” na Ilha de Marajó

Agência Brasil

Educação

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