EUA se Retiram de Organizações Climáticas e Impactos Podem Ser Prejudiciais ao Próprio País
Na quarta-feira (7), os Estados Unidos anunciaram sua saída de 66 organismos internacionais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Fundo Verde do Clima (GCF). A decisão, atribuída ao governo de Donald Trump, levanta preocupações quanto aos efeitos adversos que essa retração pode ter globalmente, bem como nas próprias economias norte-americana. Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, apontou que essa ação poderá trazer um retrocesso significativo na liderança climática e na colaboração internacional em questões relacionadas ao meio ambiente, prejudicando, assim, a segurança e a prosperidade dos EUA.
Participante Fundamental da Governança Climática
Os Estados Unidos foram cruciais na criação tanto da UNFCCC quanto do Acordo de Paris, mecanismos que moldam a governança climática global. De acordo com Stiell, ao se afastar dessas instituições, o país não só perde influência, mas também compromete seu próprio futuro diante de desastres naturais cada vez mais frequentes, como incêndios florestais e inundações. Ele afirmou que o impacto econômico será palpável, com preços de energia, alimentos e transporte possivelmente mais altos para a população americana, à medida que a transição para energias renováveis se torna imperativa em um cenário de mudanças climáticas intensificadas.
A Natureza do Retiro
A UNFCCC é a responsável pela realização anual da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), sendo a mais recente COP30 ocorrida em novembro de 2022 em Belém, Brasil. Stiell indicou que o desmantelamento da participação americana no GCF, o principal mecanismo de financiamento internacional para ações climáticas, será particularmente danoso às economias locais, que enfrentam desafios crescentes devido a crises climáticas. O Instituto Talanoa, uma organização não governamental brasileira focada em debates climáticos, complementou que essa decisão por parte dos EUA é um golpe à credibilidade americana, mas ressalta que a governança climática global não depende exclusivamente da participação dos americanos.
Justificativa do Governo dos EUA
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a saída do GCF, caracterizando a organização como “radical” e afirmando que a política do governo é promover um crescimento econômico baseado em energia acessível e confiável. Bessent reiterou que a participação no GCF era incompatível com as metas do governo Trump, que se propõe a avançar em todas as fontes de energia, sem compromissos relacionados ao financiamento climático internacional.
Este movimento de desengajamento parece sinalizar um novo capítulo nas relações internacionais e nas políticas climáticas, trazendo incertezas tanto para os EUA como para o restante do mundo em um momento crítico da luta global contra as mudanças climáticas.
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Fonte: Agencia Brasil.
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