EUA Intensificam Pressão Militar sobre a Venezuela em Busca de Reforço da Extrema-Direita na América Latina
O recente ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela intensifica as tensões na região e marca uma clara estratégia do presidente Donald Trump para fortalecer regimes de extrema-direita na América Latina. Segundo a professora Clarissa Nascimento Forner, especialista em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), essa ofensiva não se limita à simples intervenção, mas representa uma articulação mais ampla entre governos alinhados à ideologia conservadora. De acordo com ela, essa abordagem evidencia um esforço deliberado para desestabilizar administrações que se opõem a tais ideais. “A aproximação de governos extremistas já faz parte do projeto de Trump na região e, por outro lado, há uma clara ofensiva contra aqueles que se contrapunham a essas ideologias”, explica.
Esse movimento dos EUA não é um ato isolado na história das intervenções militares americanas na América Latina. A professora ressalta a potencialidade da instabilidade interna na Venezuela, que pode persistir e se agravar diante da administração militar americana. Na coletiva de imprensa de sábado (3), Trump insinuou que as ações em solo venezuelano não seriam as últimas da sua administração, deixando em aberto a possibilidade de outras intervenções na região, o que levanta preocupações sobre uma nova era de desestabilização no espaço geopolítico latino-americano.
A narrativa de Trump, que acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel internacional de tráfico de drogas — o cartel de De Los Soles — é contestada por especialistas que questionam a existência real desse grupo. Essas alegações, sem provas substanciais apresentadas, se assemelham a episódios passados, como a invasão do Panamá em 1989, que teve como justificativa a luta contra o narcotráfico e resultou no sequestro do presidente Manuel Noriega.
Atualmente, o governo americano oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Maduro, o que tem sido interpretado por críticos como uma tentativa geopolítica de afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, beneficiando, assim, os interesses norte-americanos, especialmente no setor petrolífero. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, o que tornar a sua estabilidade e alinhamento político um fator crucial para diversas nações à procura de parcerias estratégicas.
Com isso, a instabilidade desejada pelos EUA pode não apenas impactar a Venezuela, mas também reverberar por toda a América Latina, onde a sombra de uma nova onda de intervenção militar se torna uma possibilidade cada vez mais concreta.

Imagem: Agência Brasil
Ataque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direita
Fonte: Agencia Brasil.
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