EUA Classificam Facções Criminosas Brasileiras como Terroristas: Implicações Geopolíticas e Soberania Regional
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas suscitou uma onda de análises por especialistas em geopolítica, economia e relações internacionais. De acordo com a avaliação desses analistas, essa medida é parte da nova doutrina do governo Donald Trump para a América Latina, que visa reforçar uma “soberania limitada” dos países da região frente aos interesses estadunidenses. A classificação, que não apenas destaca o papel das facções criminosas, mas também redefine a relação entre Brasil e EUA, pode servir como um pretexto para intervenções políticas por parte de Washington.
O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, salienta que essa nova categorização permite ao governo americano agir contra as facções sem a necessidade de uma declaração formal de guerra ou autorização do Congresso dos EUA. Isso, segundo ele, se assemelha ao tratamento dado a líderes de outros países da América Latina, como o venezuelano Nicolás Maduro.
Francisco Carlos Teixeira da Silva, especialista em relações internacionais, argumenta que esta decisão faz parte de uma estratégia mais ampla que coloca os interesses americanos como prioritários sobre a autonomia nacional dos países latino-americanos. Em sua avaliação, a nova Estratégia Nacional de Segurança dos EUA, divulgada em 2025, delineia que os Estados Unidos devem reafirmar sua influência na América Latina.
A pecha de “terroristas” atribuída a grupos que operam no Brasil poderia não apenas justificar ações diretas por parte dos EUA, mas também submeter as políticas internas do Brasil à supervisão e influência estadunidense. Luiz Carlos Prado, professor da UFRJ, observa que a valorização dessa classificação proporciona uma margem de manobra que pode ser explorada para reprimir movimentos sociais, rotulando-os como apoiadores do terrorismo, sem a necessidade de evidências concretas.
Além dos casos brasileiros, a situação no México também serve como exemplo de como essa política se traduz em ações concretas. Teixeira menciona que, após a classificação de cartéis mexicanos como organizações terroristas, os EUA enviaram agentes da CIA ao país sem a aprovação do governo mexicano, resultando em tensões diplomáticas.
Esses eventos refletem uma nova fase nas relações entre os EUA e a América Latina, à medida que a influência econômica e tecnológica da China cresce, impondo uma disputa para a manutenção do controle sobre a economia mundial.
Decisão dos EUA sobre facções tenta limitar soberania do Brasil
Fonte: Agencia Brasil.
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