Estudantes da Escola Estadual Presidente Dutra se Mobilizam Contra Modelo Cívico-Militar em Belo Horizonte
Estudantes da Escola Estadual Presidente Dutra, localizada no bairro Horto Florestal, em Belo Horizonte, estão se mobilizando contra a adesão da instituição ao sistema cívico-militar de ensino, um modelo que tem gerado polêmica em toda a rede pública de Minas Gerais. Em um vídeo que circula nas redes sociais, alunos de diferentes idades se manifestam criticando a proposta, que, segundo eles, pode comprometer a autonomia educacional e, mais importante, o respeito à formação ética e psicológica necessários ao ambiente escolar. No vídeo, os estudantes questionam: “Quem educa são professores ou generais?”, enquanto utilizam a canção popular “Marcha soldado, cabeça de papel” como uma forma de protesto e expressão de suas inquietações.
Durante a exibição, os alunos seguram cartazes que indagam se são vistos como estudantes ou criminosos pelo governo estadual. As frases “Não se faz pedagogia com medo” e “a favor da autonomia de ensino” chamam atenção para a preocupação dos jovens em garantir um espaço educacional onde a liberdade de aprendizado prevaleça, ao invés da disciplina rígida que poderia representar um modelo militar.
O governo de Minas Gerais tem promovido assembleias em 728 instituições de ensino para avaliar a adesão ao modelo, porém, o processo de consulta foi suspenso pelo governador Romeu Zema, que alegou baixa participação dos pais durante o período de férias. A proposta da Administração é integrar os serviços do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar no ambiente escolar, afirmando que isso criaria um espaço mais seguro e organizado, com foco na promoção da paz e do respeito à diversidade.
Entretanto, o Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais (FEPEMG) e diversos especialistas têm se manifestado contra essa militarização da educação, apontando que a solução para os problemas enfrentados pela comunidade escolar vai além da presença militar. Um relatório publicado pelo fórum questiona a falta de formação pedagógica dos militares e adverte sobre uma possibilidade de aumento de violência, especialmente contra estudantes com transtornos mentais. Até agora, nove escolas em Minas Gerais já implementaram esse modelo a partir de 2020, com a Secretaria de Educação afirmando que a adesão só ocorrerá após análise técnica cuidadosa.
A polêmica em torno do sistema cívico-militar reflete um debate mais amplo sobre o que realmente significa oferecer uma educação de qualidade, inclusiva e respeitosa no Brasil, e como garantir que todos os estudantes possam se desenvolver plenamente em um ambiente seguro e acolhedor. A Agência Brasil tentou contato com a Secretaria de Educação para esclarecer a atribuição dos supostos avanços educacionais ao novo modelo de gestão, mas até o fechamento desta matéria, não houve resposta.
Estudantes se articulam contra o modelo cívico-militar em Minas Gerais
Fonte: Agencia Brasil.
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