Ministra defende estatais e critica privatizações durante evento no BNDES
RIO DE JANEIRO – Em um discurso enfático no evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas Juntas por um Brasil Mais Igualitário”, ocorrido nesta segunda-feira (15), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, contestou a eficácia das privatizações e reafirmou o valor das empresas estatais para o desenvolvimento sustentável do Brasil. A ministra destacou que essas empresas são fundamentais para a integração territorial, a segurança energética e o avanço em pesquisa e inovação no país.
“As estatais não são um peso; elas são um patrimônio do povo brasileiro e desempenham um papel crucial em nosso desenvolvimento econômico, ambiental e social”, afirmou Dweck no evento. A ministra também mencionou os desafios enfrentados pelos Correios, uma estatal que lida com dificuldades financeiras e está em processo de reestruturação, apesar de ser essencial para a universalização dos serviços postais em todo o território nacional.
A crítica à privatização foi ilustrada com a situação em São Paulo, onde problemas no fornecimento de energia elétrica pela Enel após chuvas intensas levantaram questionamentos sobre o modelo de gestão privada. “Em bairros de classe média e baixa, a falta de energia pode significar a perda de todos os alimentos em uma geladeira, uma situação extremamente grave”, lembrou a ministra.
Durante o encontro, que contou também com a participação de representantes de empresas privadas e públicas, assim como de organizações da sociedade civil, discutiu-se a importância do papel social das empresas no combate às desigualdades. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, argumentou sobre a necessidade de um pacto entre as empresas e os direitos humanos, visando uma sociedade mais justa e igualitária.
O evento também destacou iniciativas privadas de inclusão e diversidade, como o programa de trainees para pessoas negras do Magazine Luiza, apresentado pela executiva Luiza Helena Trajano. Apesar das críticas iniciais, a iniciativa foi posteriormente reconhecida como um modelo positivo de inclusão.
O contexto da reunião foi marcado ainda pela crítica ao movimento recente contra as cotas raciais em universidades, especificamente a decisão da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que proíbe cotas para negros. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e ex-ministro da Educação quando a Lei de Cotas foi implementada, ressaltou a necessidade de criar oportunidades para combater a desigualdade e mudar a história do país.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, durante a abertura do seminário no BNDES, no centro do Rio de Janeiro.
“Estatais não são peso, são patrimônio”, defende ministra da Gestão
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