Os fragmentos de vegetação nativa no Brasil aumentaram significativamente de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023, revela estudo do Mapbiomas. Este crescimento evidencia o impacto do desmatamento, que fragmentou extensas áreas verdes em pequenos remanescentes. A análise é parte do Módulo de Degradação do MapBiomas, uma ferramenta destinada ao monitoramento de transformações no uso e cobertura do solo nacional.
O estudo registrou uma redução drástica no tamanho médio dos fragmentos de vegetação. Em 1986, o tamanho médio era de 241 hectares, que declinou para 77 hectares em 2023. Dhemerson Conciani, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenador do projeto, destacou o impacto negativo dessa redução para a biodiversidade, incluindo aumento no risco de extinção de espécies e diminuição das chances de recuperação natural de áreas afetadas.
Os biomas brasileiros apresentaram diferentes níveis de fragmentação. A Mata Atlântica e o Cerrado possuem os maiores números de fragmentos, com significantes 2,7 milhões cada. Entretanto, enquanto a fragmentação no Cerrado foi primariamente impulsionada pelo desmatamento, na Mata Atlântica, observou-se uma combinação de desmatamento e regeneração de vegetação secundária.
Além disso, o estudo mostrou que quase 5% da vegetação nativa do país está agora em fragmentos menores que 250 hectares. Notavelmente, este cenário é mais crítico na Mata Atlântica, com 28% de sua vegetação nativa remanescente fragmentada, totalizando aproximadamente 10 milhões de hectares.
A pesquisa pelo Módulo de Degradação também avaliou distúrbios no dossel florestal na Amazônia Legal, identificando 24,9 milhões de hectares afetados por diversas perturbações entre 1988 e 2024. O corte seletivo de madeira foi apontado como uma das principais causas desses distúrbios.
Em termos de impactos ambientais, o estudo sublinhou que 24% de toda vegetação nativa remanescente do Brasil está submetida a pelo menos um vetor de degradação. Isso corresponde a uma área de 134 milhões de hectares que enfrenta ameaças como fragmentação, efeito de borda e fogo.
A abrangência e profundidade dos dados obtidos pelo MapBiomas, segundo Conciani, auxiliam na elaboração de políticas públicas mais eficazes para mitigação da degradação ambiental e conservação dos ecossistemas nativos do Brasil.
Fragmentos de vegetação nativa cresceram no país 260% em 38 anos
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