Ministro da Fazenda frofunde sob desigualdade e instituições brasileiras no lançamento de livro
Em um evento realizado no Sesc 14 Bis, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou sobre sua nova publicação, Capitalismo Superindustrial. Durante a apresentação do livro, Haddad compartilhou reflexões sobre a relação entre a classe dominante brasileira e o Estado, afirmando que este último é visto como uma extensão da elite, e não como uma instituição pública. “A classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela”, declarou ele, enfatizando a necessidade de rever essa perspectiva para fortalecer a democracia no país.
Haddad, que foi mediado pela historiadora Lilia Schwarcz e acompanhado pelo cientista político Celso Rocha de Barros, abordou a ideia de que o Estado foi essencialmente “entregue” aos fazendeiros como uma forma de indenização pela abolição da escravidão. Ele contextualizou esse argumento lembrando que o movimento republicano no Brasil começou um dia após a assinatura da Lei Áurea, em 1888, e resultou na marginalização de setores que não faziam parte da elite agrária.
O ministro destacou que o pacto que reitera o controle da elite brasileira sobre o Estado, amplamente apoiado pelas Forças Armadas, torna a democracia um conceito complexo e frágil. “A matemática da democracia é a contestação desse status quo. Quando a democracia se transforma em um desafio ao sistema, a ruptura institucional pode acontecer”, alertou.
Durante o lançamento, Haddad também apresentou suas análises sobre o atual modelo econômico global, referindo-se ao capitalismo superindustrial como um sistema marcado por desigualdade e crescente competição. A obra, que revisita estudos feitos nas décadas de 1980 e 1990, traça um paralelo entre a ascensão das potências orientais e os processos de acumulação de capital na história socioeconômica.
A narrativa do livro inclui reflexões sobre a aproximação de revoluções no Oriente, que, segundo o ministro, foram antissistêmicas e antiimperialistas, diferenciando-as de eventos históricos como a escravidão nas Américas e a servidão na Europa Oriental. Haddad enfatiza que, enquanto a acumulação de capital gerou um desenvolvimento interno violento, externamente, despertou movimentos pela liberdade nacional, ainda que esses processos não tenham necessariamente culminado em emancipação social plena.
Na obra, o ministro argumenta que, por estar no estágio atual de desigualdade extrema, as tensões sociais se intensificam e correm o risco de escalar em conflitos mais amplos.
A multifacetada obra Capitalismo Superindustrial, com foco nas dinâmicas econômicas e políticas atuais, propõe uma análise crítica que desafia os paradigmas estabelecidos, enquanto lança luz sobre as consequências da manutenção de uma estrutura social desigual. A discussão feita por Haddad, ao lado de Schwarcz e Rocha de Barros, promete instigar uma reflexão profunda sobre os rumos da política econômica e social no Brasil e no mundo contemporâneo.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
Classe dominante brasileira entende o Estado como dela, diz Haddad
Fonte: Agencia Brasil.
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