Em meio à inquietação que envolve a gestão do Carnaval no Espírito Santo, blocos de rua em Vitória denunciam um processo de desidratação das festividades, enquanto a prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim celebra a volta do “Cachoeiraço”, um evento pré-carnaval com um tom marcante de personalismo político.
No ano passado, a Prefeitura de Cachoeiro anunciou o “Cachoeiraço” programado para os dias 6 a 8 de fevereiro de 2026, evento que volta a uma tradição de mais de 20 anos sob a gestão do prefeito Theodorico Ferraço (PP). O evento contará com trio elétrico na Beira Rio e atrações locais e nacionais, como a banda Terra Samba. A Lei Orçamentária Anual separou R$ 100 mil para o Carnaval, mas uma verba maior é esperada devido a patrocínios, incluindo o apoio do banco Banestes. No entanto, embora o “Cachoeiraço” represente um retorno festivo, será apenas um pré-carnaval, deixando a população à mercê de outras localidades para a folia de rua.
Por outro lado, os blocos de Vitória expressam suas frustrações com a gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que prioriza grandes shows na praia em detrimento das tradições carnavalescas locais. Uma recente portaria da Secretaria de Governo impõe restrições aos blocos de rua, o que pode inviabilizar suas atividades durante o feriado. A Portaria nº 001 exige que patrocínios e apoio passem pela administração municipal, enquanto um edital de premiação condiciona o repasse de recursos tão somente após a assinatura do termo de compromisso, gerando insegurança financeira para os organizadores.
Os custos do bloco Regional da Nair ultrapassam R$ 80 mil, sendo apenas uma fração do montante de R$ 180 mil que a gestão de Pazolini destinou a um show na Arena de Verão. A disparidade nos investimentos levanta questões sobre os critérios que norteiam o uso do orçamento público, favorecendo eventos que colocam o prefeito em evidência.
Além de questões financeiras, há preocupações em relação à segurança durante a festividade. Bloqueios e ações policiais violentas nos anos anteriores geram apreensão, mas até o momento a gestão não apresentou um planejamento robusto para a segurança dos foliões.
Essa ênfase nas grandes produções musicais reflete uma visão distorcida de investimento público em cultura, frequentemente reduzida à simples realização de eventos. Em Colatina, a prefeitura enfrenta um processo de improbidade administrativa relacionado à venda de camarotes VIP durante a festa oficial, sublinhando as controvérsias que podem surgir em torno da gestão de recursos destinados à cultura.

Fonte: Século Diário

