Faltam Professores Qualificados na Educação Básica Brasileira, Revela Relatório da OCDE
Um relatório divulgado nesta terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuem a qualificação completa exigida, um número que se aproxima da média de 9,1% dos países membros da organização. O estudo, que faz parte do Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance), destaca a falta de diploma, certificação ou formação pedagógica entre os educadores, apontando que essa carência resulta, frequentemente, da escassez de profissionais qualificados, especialmente em regiões remotas e disciplinas como matemática e ciências naturais.
O documento enfatiza que a contratação de professores sem as qualificações adequadas está diretamente relacionada aos desafios enfrentados na contratação de docentes mais experientes e escolarizados, especialmente em áreas mais vulneráveis e de difícil acesso. O superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, ressaltou a importância do papel do professor no processo de aprendizagem, afirmando que a valorização da carreira educacional é crucial para o futuro do Brasil. “O professor é decisivo para a aprendizagem. É ele quem percebe onde cada estudante encontra dificuldades, adapta o ensino e ajuda a transformar conhecimento em possibilidades de vida”, declarou.
Entre 2015 e 2024, embora o número de matrículas tenha diminuído em 7%, o Brasil ampliou em 4% o quadro de professores para os anos iniciais do ensino fundamental. Contudo, a OCDE projeta uma queda de 3% na população infantil entre 5 e 14 anos até 2033, o que pode sinalizar uma redução da demanda por educadores. Além disso, a retenção de professores qualificados é um grande desafio, com 10,3% desses profissionais deixando a profissão em 2022, uma taxa consideravelmente superior à média de 6,4% observada entre os países da OCDE.
O relatório ainda expõe que as condições de trabalho, os salários e o reconhecimento profissional têm um impacto significativo na atração e retenção de professores. Somente 44,3% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental estavam satisfeitos com suas condições de trabalho em 2022, enquanto a média entre os países da OCDE era de 68,4%. Em relação aos salários, 22,3% dos professores brasileiros relataram estar satisfeitos, em contrapartida aos 38,7% registrados no grupo de países da OCDE.
Para enfrentar essa crise de docentes qualificados, o Ministério da Educação (MEC) tem implementado políticas como o programa Mais Professores para o Brasil, lançado em 2025, e o Pé-de-Meia Licenciaturas, que visa atrair novos estudantes para os cursos de formação docente. De acordo com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, essa iniciativa já resultou em um aumento de 106% nas matrículas de estudantes de alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026.
Outras medidas, como o acompanhamento da qualidade dos cursos por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e a reformulação da formação inicial de professores, também estão em pauta. Henriques aponta que, além da quantidade de professores formados, é necessário avaliar a experiência e a permanência desses profissionais nas escolas. Uma alternativa explorada é a entrada de profissionais de outras áreas na docência, com 11,5% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental no Brasil em 2024 se encaixando nessa categoria, acima da média da OCDE, que é de 8,4%.
O Panorama da Educação, publicado anualmente pela OCDE, oferece um conjunto abrangente de dados que permitem a comparação entre os sistemas educacionais dos países participantes, com o Brasil contribuindo para o relatório desde 1997. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é responsável pela análise e tratamento dessas informações no contexto brasileiro.
OCDE: 9% dos professores no Brasil não têm qualificação completa
Fonte: Agencia Brasil.
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