Argentina Aprova Controversa Reforma Trabalhista em Meio a Protestos
Buenos Aires: Com ruas tomadas por manifestações e uma greve geral marcando o cenário, a Câmara dos Deputados da Argentina ratificou, na última sexta-feira, uma ampla reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei. As mudanças incluem extensões da jornada diária para 12 horas e restrições ao direito de greve, gerando acaloradas discussões.
Segundo informações do governo, as novas regulamentações têm como objetivo diminuir o custo de contratações e integrar ao mercado formal cerca de 50% dos trabalhadores informais do país. Gabriel Bornoroni, deputado da bancada governista, destacou que a reforma é essencial para a inclusão de todos os trabalhadores na economia formal da Argentina, um caminho que contrasta com movimentos em países vizinhos como Brasil e México, onde se observa tendências de redução de jornadas de trabalho.
Detalhes da Reforma:
- A jornada de trabalho diária poderá ser extendida de 8 para 12 horas.
- Implementação de um banco de horas, onde horas extras podem ser compensadas posteriormente, ao invés de pagas imediatamente.
- Limitações ao direito de greve, exigindo autorização prévia dos empregadores para assembleias durante horários de trabalho e definindo serviços essenciais onde paralisações são restritas a 25% e 50% dos empregados.
Após modificações pelo Senado, excluindo propostas como pagamento de salários através de moradia ou alimentação, o projeto retorna ao Senado para revisão adicional devido às alterações feitas pela Câmara. As medidas excluíram, por exemplo, a redução de salários pela metade em períodos de licença médica, garantindo pagamento integral.
As manifestações, lideradas pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), principal central sindical do país, apontam para um retrocesso nas conquistas trabalhistas, conforme expressou Jorge Sola, co-secretário da CGT. As críticas também se concentram em outras áreas como o esvaziamento da Justiça Nacional do Trabalho e a regulamentação de trabalhadores de aplicativos como prestadores independentes, sem vínculo empregatício.
A reforma ainda prevê mudanças em normativas sobre o trabalho remoto e estabelece novas diretrizes para a divisão de férias, adaptando-as às necessidades do empregador.
Repercussões e Perspectivas Futuras:
Enquanto o governo defende a modernização das leis trabalhistas como forma de avanço econômico e social, setores da oposição e movimentos sindicais veem as mudanças como uma ameaça aos direitos laborais, configurando um cenário de tensões contínuas sobre a direção das políticas trabalhistas na Argentina.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Esta cobertura é continuamente atualizada em nosso portal. Mantenha-se informado sobre as últimas notícias na TV Brasil e em nossos informativos.
Argentina: Reforma trabalhista permite jornada de 12h e limita greves
Economia

