Meio AmbienteAmazônia: Estudo de 22 anos refuta teoria da savanização florestal

Amazônia: Estudo de 22 anos refuta teoria da savanização florestal

Estudo em Querência Revela Resiliência da Floresta Amazônica Frente ao Desmatamento

Um estudo pioneiro em Querência, Mato Grosso, expõe a resiliência da floresta amazônica diante das mudanças climáticas e das práticas agrícolas que pressionam o bioma. Realizado ao longo de 22 anos, o trabalho analisou os impactos das secas e queimadas na região, uma das mais afetadas por desmatamento nas últimas décadas. Inicialmente respaldada pela tese de savanização, que sugeria a substituição das florestas por gramíneas e arbustos, a pesquisa descartou essa possibilidade. Cientistas observaram, ao invés disso, uma recuperação notável das espécies florestais após a passagem do fogo e da seca.

Leandro Maracahipes, pesquisador da Universidade de Yale e apoiado pelo Instituto Serrapilheira, enfatiza que o estudo comprova a capacidade da floresta de se regenerar após distúrbios severos. “O que estamos mostrando é que a floresta recupera, que ela é altamente resiliente, e tem essa capacidade de voltar e retornar aos espaços altamente degradados”, explica o biólogo. Contudo, ele alerta que essa recuperação depende de condições específicas, como a interrupção dos queimadas e a necessidade de áreas florestais adjacentes para a dispersão de sementes.

O levantamento, iniciado em 2004, abrangeu uma área de 150 hectares, dividida em três frações: duas sujeitas a queimadas em diferentes frequências e uma terceira intocada pelo fogo. Resultados preliminares indicaram um empobrecimento significativo da biodiversidade, com uma redução de 20,3% nas áreas queimadas anualmente e de 46,2% nas que sofreram queimadas a cada três anos. Contudo, os cientistas notaram que a floresta, por meio de um processo de regeneração natural, começou a se restabelecer, ainda que em uma nova condição.

Apesar da recuperação gradual, Maracahipes salienta uma preocupante vulnerabilidade. O novo ecossistema, embora florido, apresenta espécies com casca fina e densidade de madeira baixa, tornando-as suscetíveis a novas distúrbios. Adicionalmente, mudanças climáticas têm intensificado a pressão sobre essas florestas em regeneração, exigindo um esforço contínuo para a conservação e recuperação das áreas degradadas.

Tal cenário se revela crucial, pois a região, que antes era famosa pelo desmatamento, agora desponta como um espaço de restauração, refletindo a necessidade de um novo enfoque na preservação da Amazônia e seus serviços ambientais vitais.

Estudo de longo prazo na Amazônia descarta teoria de savanização

Fonte: Agencia Brasil.

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