Desigualdade Digital: Dados Revelam Baixo Desempenho de Alfabetização Digital entre Brasileiros
Uma nova pesquisa divulgada pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), nesta segunda-feira (5), destaca a complexa relação entre habilidades de leitura e escrita e a capacidade de navegação no ambiente digital. Embora indivíduos com melhor compreensão dessas habilidades tenham mais facilidade para realizar tarefas online, quase 40% dos considerados alfabetizados proficientes ainda enfrentam dificuldades significativas em atividades digitais como compras, envio de mensagens e preenchimento de formulários. O estudo, que pela primeira vez inclui métricas de alfabetização digital, serve como um importante parâmetro para entender como as transformações tecnológicas impactam o cotidiano dos brasileiros.
O Inaf categoriza os entrevistados em cinco níveis de alfabetização: analfabeto, rudimentar, elementar, intermediário e proficiente. Os dados foram coletados a partir de um teste aplicado a uma amostra representativa da população, com 2.554 participantes entre 15 e 64 anos, distribuídos em todas as regiões do país. Para avaliar o desempenho digital, os entrevistados realizaram tarefas simples em dispositivos móveis, como comprar um par de tênis a partir de um anúncio em redes sociais e se inscrever em eventos via formulários online. As classificações resultantes variaram entre baixo, médio e alto desempenho digital.
Os resultados mostram que 95% dos analfabetos estão na categoria de baixo desempenho digital. Do nível elementar, a maioria (67%) também se classifica como média. No entanto, mesmo entre os proficientes, 37% têm um desempenho digital médio. Para Esmeralda Macana, coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, essas deficiências em habilidades digitais são preocupantes, especialmente em um mundo que se torna cada vez mais digital. “Acesso a serviços digitais como Pix e marcação de consultas médicas é essencial, e a falta dessas habilidades pode excluir as pessoas de políticas públicas”, afirma.
O levantamento também observou que os jovens apresentam um desempenho melhor, especialmente aqueles na faixa etária entre 20 e 29 anos. Em contraste, o coordenador da área de educação de jovens e adultos da Ação Educativa, Roberto Catelli, ressalta que as desigualdades educacionais se refletem também no espaço digital, indicando que a solução se estende além do mero letramento digital.
A pesquisa, que ficou sem ser realizada por seis anos, teve uma margem de erro entre dois e três pontos percentuais, dependendo da faixa etária. Ela foi coordenada pela Ação Educativa em colaboração com a consultoria Conhecimento Social e co-realizada por diversas instituições, incluindo a Fundação Itaú e o UNICEF.

Alto nível de alfabetização facilita tarefas no mundo digital
Fonte: Agencia Brasil.
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