Iniciou nesta segunda-feira (17) a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) em Ulaanbaatar, Mongólia, que se estenderá até 28 de agosto. O evento, que congrega representantes de 196 países e da União Europeia, tem como foco principal debater medidas eficazes para combater a seca, restaurar ecossistemas, garantir o acesso universal à água e alimentos, e valorizar territórios e povos tradicionais.
Durante a conferência, a terra é o recurso central das discussões. Os governos e membros da sociedade civil buscam acordar sobre a criação de um novo instrumento internacional que fortaleça a governança sobre as secas, uma pendência não resolvida desde a última conferência em Riad, Arábia Saudita. Além disso, as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN) estão no cerne das negociações, com países apresentando relatórios sobre suas estratégias para manter a qualidade e quantidade dos recursos terrestres.
Entre os principais desafios listados está o incremento do financiamento global para combater a degradação da terra. Segundo Yasmine Fouad, secretária-executiva da UNCCD, a conferência é uma oportunidade para avançar nas negociações e demonstrar que a Convenção pode fornecer soluções práticas e resultados mensuráveis.
Este ano, a conferência também verá o lançamento de relatórios importantes como “The Drying Planet – Drought in Numbers 2026”, “Global Land Outlook 3”, e o primeiro Índice Mundial de Resiliência à Seca. Tais documentos visam proporcionar uma visão mais clara e atualizada sobre os riscos e as necessidades relacionadas à desertificação e às secas em escala global.
Como destacado por Louise Baker, diretor-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, são necessários cerca de US$ 1 bilhão por dia até 2030 para alcançar os objetivos de proteção da terra delineados pela Convenção. A estratégia inclui atrair o setor privado para financiar a restauração de terras, o que pode gerar benefícios econômicos significativos.
As discussões também abordam o regime global para secas e a formalização de um instrumento global para seu combate, uma demanda principalmente de países africanos que buscam um protocolo juridicamente vinculante.
No âmbito nacional, o governo brasileiro apresenta seu primeiro conjunto de metas de Neutralidade da Degradação da Terra, que busca evitar, reduzir e reverter a degradação do solo. Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ressalta que o Brasil já possui diversas políticas e iniciativas nesse sentido.
Finalmente, a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais é outra pauta importante, com a criação do “Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais”, garantindo voz e espaço para essas comunidades dentro da convenção.
A cobertura jornalística da COP17 é realizada pela Agência Brasil, em parceria com a UNCCD, que selecionou jornalistas de diferentes continentes para reportar diretamente de Ulaanbaatar. As imagens que marcam os debates e discussões vêm principalmente de fontes como a Agência Brasil e a Divulgação UNCCD, capturando os impactos visuais da desertificação e os esforços de mitigação em curso.
COP17 começa na Mongólia com foco em seca, terra e financiamento
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